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domingo, 6 de fevereiro de 2011

"The US Interview: River Phoenix" [Parte 3] - US Magazine, 1991

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US: Você disse que quando lê algumas de suas entrevistas anteriores, você vê que não se referiu a si mesmo como foi retratado. Existe alguma coisa em particular que lhe atormentou - alguns equívoco, algum erro que você queira corrigir agora?

PHOENIX: Eu desejo dizer que eu realmente sinto muito por todos os verdadeiros hippies que tiveram de lidar comigo na imprensa como seu garoto-propaganda. Eu certamente não sou um bom exemplo do que é o puro hippie americano. Acho que é bastante divertido cada vez que vejo algo tão falho como o artigo da Sassy sobre "River Phoenix e Sua Pequena Banda Hippie", ou a revista Life com "Uma Grande Família Hippie". Todo esse tipo de coisa para mim é como, 'por favor, não insulte a família hippie da América, usando-nos como suas crianças propagandas.' É simplesmente ridículo. Isso subestima os verdadeiros hippies.

US: Você conhece muitos?

PHOENIX: Oh, eu vejo os verdadeiros hippies o tempo todo. Basta você dirigir por todo o país para vê-los. Eu nem sequer me encaixo no visual, mesmo que seja simplesmente um grande pseudomodismo. É uma forma de vida, não um visual.

US: Você se tornou uma pessoa mais reservada?

PHOENIX: Sim. Há certas coisas que uma vez que alcançam o ar, tornam-se ultrapassados para você. Se você tivesse um pensamento que era tão agradável e envolvente em sua mente e você deixa escapar de alguma forma e lê nos jornais em algum lugar, ele deixaria de ser seu pensamento. Ele pertenceria à página.

US: O que é preciso para ser seu amigo?

PHOENIX: Tempo.

US: Quem é seu melhor amigo fora da família?

PHOENIX: Acho que meus cachorros da família, então eu realmente não tenho 'os melhores'.

US: O que faz você rir agora que antes você levava a sério?

PHOENIX: A vida. Eu costumava levar os caminhos da humanidade realmente a sério, sempre a perguntar por que, por que, por quê? Agora eu dou risada.

US: Vamos falar sobre como alguns caminhos da humanidade afetam coisas que são importantes para você. Sua dedicação às causas ambientais é bem conhecida. Você acha que as coisas podem ser mudadas?

PHOENIX: Eu acho que é simplesmente arrogante para mim ou para qualquer ser humano sugerir mudanças radicais, isso simplesmente não é o jeito como as coisas acontecem. Você está apenas vivendo em uma terra wannabe de utopia, e eu sou um realista sobre isso. Por exemplo, eu acho que a coisa toda desta questão, esta, e esta outra questão - é falso. O meio ambiente, por exemplo, é intitulado "A Questão Ambiental". Ele não é uma questão, o meio ambiente estava aqui antes de nós. Nós somos do meio ambiente, e o meio ambiente é o que permitirá que todas as questões vivam se ele existir. É tão fundamental e é tão importante. E nos afastar de nós mesmos é absurdo. Para viver em negação e dizer: "Ah, isso não pode ser, isso não está certo", o que também é errado, porque isso é evolução. Isso é natural. Isso está acontecendo. Aprendi a aceitar isso. E ser tão responsável como eu posso ser, sem ser apenas uma bola neurótica de confusão.

US: Você está dizendo que o ponto de evolução pode ser a nossa eventual autodestruição?

PHOENIX: Completamente. Nós estamos presos em uma enorme avalanche de algum gênero, parte da Idade do Gelo. Eu sempre aceitei isso. Não tenho nenhum problema com isso.

US: Mas nós estamos pensando como animais. Não podemos, como dizem, "pensar globalmente, agir localmente" e preservar a nós mesmos? Não poderíamos evoluir para nos tornar mais responsáveis?

PHOENIX: É um caminho grande, sim. Todos nós fazemos isso, tanto quanto podemos. Em algum ponto, é preciso haver algum tipo de reversão sobre como nós nos multiplicamos e como trabalhamos com a terra. Por exemplo, quando alguém gosta sem motivo de um certo tipo de mesa de madeira tropical em seu quarto, como mudar radicalmente todo um futuro por coisas que não foram descobertas ainda? E é aí que entra a educação. Se todos nós formos educados sobre o que realmente importa, então nossas cabeças estarão em lugares diferentes, quando formos à loja de móveis.

US: Nós lemos muito sobre a sua mãe sendo uma espécie de relação central para você em sua família. Mas não é seu pai. Por que não?

PHOENIX: Meu pai preferia ter a sua privacidade. Eu poderia dizer o mesmo, basicamente, sobre todos da minha família: eles não querem lidar muito com a mídia que me rodeia.

US: Mas você recebeu jornalistas em sua casa. E sua mãe sempre foi destaque.

PHOENIX: Bem, minha mãe é uma força motriz enorme no meu trabalho. Ela está muito envolvida, ela é a minha empresária. Mas sua vida privada é separada.

US: Será que ela o ajuda a escolher os filmes?

PHOENIX: Sim, ela me dá a sua opinião. Mas eu sempre tomo a decisão final sobre a obra.

US: Quais são seus critérios para escolher um papel?

PHOENIX: Eu tenho que acreditar no roteiro, porque é aí que tudo se baseia. Eu gosto de ser capaz de ver além das palavras apenas. Se o roteiro permite que você faça isso, então você sabe que você está indo para algum lugar.

US: Mesmo se o que está escrito não se sustenta na tela? É um meio de muita colaboração.

PHOENIX: Sim. My Own Private Idaho, por exemplo, era mais um esboço do que um script completo. Havia um monte de leitura nas entrelinhas, então eu tive que usar minha imaginação e olhar mais profundamente.

US: Você tem sido considerado um símbolo sexual. Curiosas palavras. O que elas significam para você?

PHOENIX: Eu não sei. De qualquer forma, como eu poderia ser, quando eu estou sentado aqui com essa coisa (um gorro) na cabeça, vesgo e confuso?

US: Por que os fãs querem ter relações sexuais com estrelas de cinema?

PHOENIX: Será isso verdade? Eu me sinto tão separado das telas que eu nunca entendo o bastante alguém querer ter sexo com elas. Há algumas delas que são encantadoras, mas, não, eu teria que conhecer alguém por um longo tempo antes que eu fizesse isso.

US: Em última análise, isso só diz uma coisa triste sobre a sociedade.

PHOENIX: Completamente. Nossos protagonistas homens/mulheres ideais são tão desarrumados. É por isso que eu me defino mais como um ator de personagem, não aceitando a maquiagem que vai fazer você parecer "certo". Eu quero ver mais pessoas diferentes, interessantes, pessoas reais na tela. Eu poderia ter mais de uma [risos] motivação sexual na tela, se houvesse algumas pessoas de verdade lá em cima. E existem algumas, mas não o suficiente. Eu quero ver mais de Niros. Eu quero ver mais Spikes Lees. Eu quero ver mais mulheres, especialmente, lá em cima.

US: Em seus filmes anteriores, parecia haver uma relação entre as histórias e uma parte de sua vida.

PHOENIX: É engraçado para mim ouvir isso. No Japão, foi a mesma coisa. Era assim: "Oh, nós ouvimos que há muitas semelhanças com A Costa do Mosquito ou O Peso de Um Passado. Bem, Deus, tudo que você fez é exatamente como a sua vida real.". E eu acho que uma parte disso é minha culpa. Tenho tanta convicção do que eu faço. As pessoas presumem que deve ser mesmo o que esse cara é.

US: Meu ponto é que não há praticamente nenhum denominador comum entre Idaho e sua vida. O que você fez para conseguir obter as emoções próprias subjacentes à busca de um garoto por sua mãe, quando você nunca experimentou isso?

PHOENIX: A maioria dos atores possui um lado intuitivo. Na verdade, quanto mais distante eu sou do personagem, menos trabalho que tenho que fazer. É preciso muito mais energia para separar-se de suas próprias referências de vida que podem cruzar os fios com o seu personagem. Eu acho que é trapaça para mim sempre usar referências de minha vida em conjunto com meus personagens. É a minha reação transferida para o personagem, o que não é bom. O que tenho a fazer é apagar essas coisas e depois encontrar outra coisa. Eu não posso ficar na frente de uma câmera e deixar que nada de mim mesmo permaneça inteiramente ou eu estou traindo a veracidade completa do personagem. Existem alguns atores que apenas usam a si mesmo. Eles podem usar o seu eu como sua luva e parece ótimo. Eu não posso fazer isso.

US: Qual foi o conselho de melhor qualidade que você já ganhou e quem deu a você?

PHOENIX: De Lawrence Kasdan. Ele disse que os melhores atores e atrizes têm pelo menos metade de si mesmo no papel. Metade do personagem que o faz funcionar é a pessoa real. Eu ainda sou do tipo que tem apenas um oitavo de mim para o papel. Um bom exemplo do que ele quer dizer é Kevin Kline. Kevin é simplesmente um ator, charmoso, brilhante. Versátil como pode ser. E ainda assim ele é Kevin Kline. Há algo que você pode confiar nisso. Você pode olhar nos olhos dele e dizer: "Ei, ali é Kevin". E ainda assim você não diz isso até o final do filme, porque você estará totalmente absorvido pelo personagem. O ponto é não se perder completamente. Estou trabalhando para dar mais.


Fonte: US Magazine, em setembro de 1991

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

"Caras Tofu Não Comem Carne" - [Parte 1] - Vogue/1990

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Por Vicki Woods,


River Phoenix tem apenas dezenove anos. Isso é a coisa mais impressionante sobre ele. Ele está no cinema há tanto tempo que você acha que ele seria mais velho agora, batendo mesmo ali nos... oh, eu não sei. Vinte e dois ou algo assim. Mas nada disso. Dezenove. Saudável como um omelete de tofu. E com a bela aparência que todos conhecemos.

Outra coisa notável é o seu nome engraçado. River Jude Phoenix. Todos os bebês Phoenixes habitam a Nave-Terra, com os nomes "Salve-o-Planeta" dos anos 60, que os seus pais (Arlyn e John) claramente pensaram muito para dar, e agora que as crianças têm vivido com os nomes há alguns anos e gastado-os um pouco, convém a eles defender suas razões. Rainbow Joan of Arc Phoenix, dezessete anos, é chamada Rain; Leaf Joaquin Phoenix, quinze anos, está chamando a si mesmo de Joaquin estes dias; Liberty Mariposa Phoenix (mariposa é espanhol para "borboleta"), treze anos, é conhecida como Libby e Summer Joy Phoenix, doze anos, é Summer. Estes são grandes nomes para os créditos finais de alguma produção, não são? Melhor do que ... Meryl Streep.

Quando River não está fazendo filmes, ele está fazendo música. Ele vive com sua família em Gainesville, Flórida. Já esteve em Gainesville? Eu também não tinha. O Norte Central da Flórida não é exatamente um pólo turístico, sendo úmido, plano, com muitos jacarés, e pelo menos uma centena de quilômetros de oceano em qualquer direção. Mas é quente, e Arlyn Phoenix gosta do calor. E Gainesville (noventa mil habitantes de uma população crescente) tem trinta e cinco mil estudantes universitários que ali vivem.

A Universidade da Flórida, um estudante me disse, é a mais barata universidade pública em todos os Estados Unidos, razão pela qual está explodindo ao juntar à intelectualidade, os meninos com visual atlético em camisetas brancas e bermudas que jogam futebol sob a luz de holofotes até as primeiras horas da manhã. Arlyn Phoenix gostou da idéia de uma cidade universitária, quando ela veio para decidir, finalmente, porque ela queria muito uma abundância de equipamentos culturais para a sua ninhada de crianças: artes, música, drama.

River Phoenix não é um intelectual, é claro. E ele não usa bermudas. Ele chegou ao meu hotel no carro de sua mãe, usando uma suada camiseta verde jade, calças azul marinho e tênis. Ele tem crescido desde a última vez que o vi (em O Peso de Um Passado - o que é um dramalhão).

Ele tem agora 1,78m ("Descalço!''), magro como um salgueiro e com fios de barba crescendo como o musgo da Flórida Espanhola. Ele não quer raspá-los, mesmo para fotos de Bruce Weber. Ele não tem que engordar para seu novo papel em Te Amarei Até Te Matar de Lawrence Kasdan. Ele interpreta um pizzaiolo que tem uma visão de mundo bastante excêntrica e tenta ajudar a mulher de seu chefe (Tracey Ullman), nas várias tentativas de assassinato de seu marido (Kevin Kline). Ele é um pizzaiolo magro, e interpreta alguém de sua idade. (Ele engordou cinco quilos para Conta Comigo porque ele estava interpretando um menino de doze anos, e um de quatorze mais gordinho pareceria mais jovem).

Depois de Te Amarei Até Te Matar vem Apostando no Amor, dirigido por Nancy Savoca. Eu estou realmente ansiosa por isso. River interpreta um fuzileiro naval que faz uma aposta com os outros caras que ele vai pegar o pior canhão - uma mulher feia - mais do que qualquer um deles. Este deve ser um verdadeiro filme do futuro e o primeiro que ele vai ter que carregar sozinho. A diretora Savoca diz, "River tem um peso emocional que os outros atores jovens simplesmente não têm."

Fomos para um café em Gainesville. A garçonete adolescente estava um pouco excitada, mas ela manteve a calma. "Você tem café da Venezuela?" Não. "Você tem suco de cenoura?" Não. "Bem, eu vou querer um café expresso duplo'', disse ele, e prontamente falou por horas sobre como se sentia dependente da cafeína.

Eu disse que ele era um símbolo sexual mesmo em revistas adolescentes britânicas e, em seguida, imediatamente, desejei que eu não o tivesse dito. Ele também o desejou. Ele deitou sua linda cabeça sobre a mesa e gemia de verdadeira vergonha. "Um símbolo sexual! Oh, Deus. Queria que você não tivesse dito isso. Um símbolo sexual!" Ele me contou sobre as fotografias de publicidade que foram tiradas "quando eu era mais jovem". "Você faz tudo o que te dizem, eles lhe ensinam a posar, sabe, eles dizem, "você tem que fazer assim!" Um símbolo sexual! E você vai inclinar sua cabeça, e eles vão lhe mostrar como forçar seus lábios e chupar a sua bochecha ... oh [geme] e desde então, todas as imagens que você nunca gostaria de ver novamente em sua vida vão estar em revistas adolescentes para sempre. Oh." [mais gemidos]. Foi muito engraçado, mas ele quis dizer isso mesmo. A elegante modéstia é o ponto forte de River.

Continua...


Fonte: Vogue Magazine, em maio de 1990

"Caras Tofu Não Comem Carne" - [Parte 2] - Vogue/1990

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A mídia sobre River tem sido até agora uma grande combinação de parágrafos sobre o estado do Planeta (que pode ser o tipo de leitura irritante, quando se tem quinze, dezesseis, dezessete anos de idade) e um "Uau, louca!" ao exame de sua família pouco convencional. Vamos à família, em primeiro lugar.

Arlyn e John Phoenix (ele, eu não encontrei - estava no México com "Leaf" Joaquin) tinham uma vida muito maluca, até ir para Gainesville (e comparados com Married ... with Children, a América convencional, ainda é um pouco maluca). Eles largaram tudo nos anos 60, foram para a estrada, achavam que o LSD era o soro da verdade, eles encontraram Deus, se juntaram a uma seita, foram para a América do Sul, como missionários (River era fluente em espanhol e inglês desde os três anos de idade), tiveram seus bebês por parto natural, acreditavam em uma Terra Saudável... você sabe.

Arlyn e John parecem ter seguido o ritmo dos tambores dos anos sessenta mais do que a maioria, e em vez de transformarem-se em yuppies dos anos oitenta, eles permaneceram lá. Eles agora são pessoas perfeitamente normais, com vinte hectares da propriedade, alguns carros, umas poucas contas bancárias, uma cozinheira, um jardineiro, um empresário, e cinco garotos bonitos, a maioria dos quais são atores, mas - que agora consomem vegetais em vez de drogas, não comem produtos de origem animal, dizem não ao desperdício de papel, ao uso do couro, ou a qualquer superconsumo dos recursos do planeta. Eles têm adesivos com SAVE THE RAINFORST em seus carros, e seus dois grandes cães, uma mistura de pastor alemão e doberman e pastor alemão puro, são vegans. (Eles não cheiram melhor do que qualquer cão normal, os cães carnívoros, devo acrescentar).

Então, a bela cabecinha de River, desde a mais tenra idade, foi cheia de preocupações globais e sobre a necessidade de poupar água enquanto lava. Isso é ótimo, exceto quando você é, ao mesmo tempo, uma estrela de Hollywood, e repórteres disparam perguntas sobre o que você pensa de Deus, Harrison Ford, Rob Reiner, Sidney Lumet, o presidente Bush, e todos os outros adultos. E você foi educado para pensar por si mesmo, envolver os outros em sua própria conversa, erguer o queixo e falar. Então, eles transformam tudo em um evangelho e você acaba soando como um verdadeiro panaca. River geme novamente com as lembranças de suas primeiras entrevistas. "Oh, eu simplesmente os deixei iludidos. Eu não me reconheço ... Eu soava como... um garoto brilhante, um messias adolescente, fanático pela vida saudável ... Salve o mundo ... no fundo, um hippie amalucado ... uma colagem completa de leituras falsas. Estes termos estão errados. Quero dizer ... salve o mundo". Quando isso acontece, ele me dá um longo solo sobre Deus (ou "Ser Supremo ou Força Vital, chame como quiser"), mas você não vai querer lê-lo aqui. (Eu sou atéia, eu disse. "Boa!", disse River, com tato e encanto).

Falamos sobre árvores. Queria escrever algo sobre o meu notebook e eu me importei mais que ele pudesse ver o que eu estava escrevendo sobre ele.

"Tsc, tsc!" disse ele. "Você poderia ter usado apenas a metade. Você não deve desperdiçar papel." Por que não? "Por que não?! Porque as árvores são um recurso que está diminuindo, por isso é que não. O norte-americano Forest Council publicou um artigo dizendo que temos 40 por cento mais árvores nos Estados Unidos, agora, do que tínhamos há oitenta anos atrás. Claro! Sim - sob a forma de papel higiênico e copos de papel usados! O fato é que devastamos uma área do tamanho de Connecticut a cada ano. O Forest Service planta árvores, com certeza, mas pela polpa da madeira. Eu penso que a madeira deve ser usada apenas para escritos importantes. Pessoas gastam tanto papel... Em cada loja, você usa acres de papel para cada recibo. Três cópias de toda essa porcaria - certamente a nossa tecnologia é mais avançada do que isso! Quer dizer, se eles podem fazer um gerador de plutônio entrar na órbita de Júpiter e ficar lá fora por quarenta e três anos, certamente eles podem fazer um recibo que irá economizar papel."

River tornou-se bastante intenso sobre orbitar em Júpiter. "Isso me deixa doido! Temos uma maravilhosa e superpotente tecnologia que mais do que nunca agora é dedicada às... às armas, ao invés de investir o dinheiro na construção de esgotos seguros e de proteger as águas subterrâneas, eles ... eles ... não podem sequer fazer um maldito dispositivo de controle da natalidade que limite a população mundial."

Agora, espere um minuto. Quantos irmãos e irmãs você tem, River? Quatro, não é? Cinco, incluindo você? Ah, não há muita limitação da população acontecendo aqui.

Seus olhos se arregalaram, mas ele sustentou o queixo. "Minha família", disse ele cuidadosamente, "não desperdiça os recursos do mundo. Nós comemos o que plantamos, não exploramos os animais, usamos até menos do que seria a nossa quota de eletricidade e energia, temos aquecimento solar, nós não somos materialistas..." Foi uma defesa inspirada, e eu pensei que era doce, e mudei de assunto.

A garçonete trouxe-nos uma conta pequena (em um pequeno pedaço de papel). "Vamos para a loja de fumo", River diz. Ele tem que fumar em "Apostando no Amor" (e, presumivelmente, fazer a barba, também), então ele está praticando. A loja de fumo de Gainesville é um lugar maravilhoso, amplo e arejado, com cinzeiros de alumínio e prateleiras de livros.

Perguntei a River o que ele estava lendo no momento e ele disse: "nada"; ele estava ocupado com sua música. Ele gosta de ler, no entanto: ele está sempre à procura de bons livros, gosta de grandes temas universais, algo que lhe diga algo substancial sobre a condição humana. Eu teria alguma recomendação para ele? perguntou ele com astuta lisonja, cabeça inclinada para o lado. Ele realmente apreciaria o meu conselho. Oh, misericórdia! Eu fiquei totalmente bloqueada. Er ... Guerra e Paz? O bom velho na loja de fumo empreendeu uma longa pesquisa e apareceu com um exemplar empoeirado. River disse que estava ótimo. E grande. Nós o compramos.

A cada vez que atravessamos uma rua, uma pessoa apareceu para dizer, "Hey, Riv!" E River daria um tapinha no braço dele, dizendo: Hey! em retribuição. Nenhum deles era intelectual, e eles não estavam usando bermudas: os amigos de River não estão entre os trinta e cinco mil jovens universitários de Gainesville: eles são os caras legais. Músicos, principalmente. São todos maravilhosamente educados, como ele.

River tem uma banda, também: ele adora isso. Ele escreve canções e toca guitarra. Ela se chama Aleka's Attic, e a Island Records está muito interessada nela. Um de seus amigos me disse que ele muda o nome da banda periodicamente "para que as pessoas venham para ver toda a banda, não para ver River Phoenix". River me disse que ele realmente brinca com a idéia de chamar a si mesmo de outro nome para fins musicais. Ficamos juntos o dia todo. Nós saímos do local do almoço vegetariano, onde comemos um falafel e tahini, e uma menina ruborizada pediu a River o seu autógrafo.

Fomos ao estúdio de som de Gainesville, onde River apanhou cinquenta cópias da fita de sua nova canção e pediu ao engenheiro para tocá-la para mim no equipamento de estúdio. Ela veio crescendo, cheia de guitarras e bateria, mas River disse que não estava alto o suficiente. Nós fomos a uma festa da fraternidade, em uma das milhares de casas de fraternidade, que funcionam no centro de Gainesville. Isso foi estranho. Muitos alegres meninos da idade de River e com o mesmo senso de vestir de River ligaram amplificadores e kits para tocar na festa, enquanto os atléticos moradores da casa sentavam em volta das sacadas penteando seus cabelos dourados.

Nós não ficamos muito tempo em nenhum lugar. Fomos para a casa de River, onde Arlyn pôde fazer uma refeição junto com seu filho, comigo e uma garota de vinte anos de idade, da Inglaterra, que tinha conhecido a família Phoenix no México. A refeição foi radicalmente vegan, orgânica, livre-de-produtos-animais, e deliciosa, de fato. Arlyn, uma robusta e sorridente mulher com cabelos grisalhos, explicou-me sobre o leite enquanto ela despejava tofu, colorido de amarelo com açafrão, em uma frigideira para fazer uma omelete sem ovos. "Por que os seres humanos adultos devem beber leite?" disse ela. "O leite humano é para seres humanos bebês, o leite de vaca é para bezerros." Era indiscutível.

River claramente adora Arlyn, que faz um excelente trabalho como a mãe dos Phoenix. Seus filhos são todos lindos e eles parecem tão felizes quanto moluscos, e também trabalhadores, agradáveis, livres de drogas, e educados.

River me deu outro longo solo sobre as drogas: ele trabalha no país da cocaína, afinal de contas, os sets de filmagem. Ele disse que fica completamente paranóico em Los Angeles. "As pessoas olham para você se você tem um resfriado: você sente que não pode assoar o nariz." E ele pode ver a mão-trêmula e a mão-de-passagem, que acontece nas festas. "Eu apenas tento ficar longe disso", disse ele, "eu não gosto nem mesmo de falar sobre isso. Isso me deprime. A coisa que realmente me pega são as meninas ... porque são usadas, da maneira que os homens usam as mulheres. Isso realmente me perturba - o maravilhoso azeite de oliva extra-virgem das garotas, que são tão saudáveis e unidas e suas cabeças são firmes, e você vai vê-las um ano depois e elas..." - River faz um ar inexpressivo, o rosto branco sem expressão, olhos vazios - "e tudo o que resta a elas é apenas uma mensagem gravada em suas cabeças." Ele foi muito sério sobre isso. Então ele ouviu a sua própria seriedade, disse: "Oh-oh, eu estou fora desta", colocou outro ar no rosto, e encerrou, "Nancy [Reagan] disse tudo para mim, de qualquer maneira. Basta dizer não." Eu achei que sua performance geral foi realmente cativante.

O último lugar em que nós fomos tinha alguns músicos, e era muito descontraído. River subiu os degraus de uma casa de madeira na rua principal de Gainesville, e disse: "Oi, caras". Os caras disseram oi e olharam para mim. River olhou para mim também, e fez algo socialmente incorreto pela primeira vez em um longo dia. "Esta é ... a minha tia", disse ele. "Vinda da Inglaterra." Os caras disseram oi.

Quando saímos, River me pegou pelo braço e disse: "Desculpe o 'tia' de antes. Vou explicar isso a eles mais tarde." Ele me deu um grande beijo e me levou de volta para o hotel. Eu fiquei encantada.


Fonte: Vogue Magazine, em maio de 1990

sábado, 22 de janeiro de 2011

Milton Nascimento relembra River Phoenix

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Milton Nascimento relembra o profundo impacto que River lhe causou desde a primeira vez que o viu em "A Costa do Mosquito", e reafirma a sua admiração por ele, ao som de "River Phoenix - Carta a Um Jovem Ator", música que compôs em sua homenagem.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

"Os Sonhos de River": Movieline, 1989

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Por Dan Yakir


River Phoenix seria uma anomalia em qualquer lugar, exceto o show business. O ator, nascido no Oregon, foi batizado como o Rio da Vida de Siddhartha de Hermann Hesse e passou a infância vagando pela América Central, com seus pais, na época missionários de uma seita chamada Meninos de Deus. Eles criaram um idealista incurável.

"Uma coisa que eu gostaria de fazer quando eu tiver o dinheiro para isso", diz aos 19 anos de idade, "é comprar milhares de hectares da floresta tropical brasileira e fazer um parque nacional, de modo que ninguém possa destruí-lo para colocar um McDonald's sobre ele. Eu acho que as pessoas encontram segurança em um Big Mac, mas isso é nosso oxigênio!"

A estrela de Stand By Me, A Costa do Mosquito, O Peso de Um Passado e Indiana Jones e a Última Cruzada é lançado em Te Amarei Até Te Matar como um pizzaiolo que se junta aos colegas cozinheiros William Hurt e Keanu Reeves em tentativas de atentar contra a vida do proprietário da pizzaria Kevin Kline, em nome da sua ciumenta esposa Tracey Ullman. Enquanto a imagem soa como uma bizarra comédia de humor negro, Phoenix a percebe como tendo uma ressonância "emocional, até mesmo moral".

O forte ponto de vista moral de Phoenix pode ser explicado pela sua "infância, crescendo em torno de pessoas que eram realmente humildes, com um estilo de vida que exigia muita fé, sem dinheiro ... Você não podia ser um idiota."

"Em algum momento", acrescenta ele, "eu poderia decidir desistir de todos os bens materiais ... Basta sair para algum lugar da selva e viver como um homem-macaco por um tempo."


Fonte: Movieline, em dezembro de 1989

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

"Muitas vezes, o mais sensível padece de uma vida dolorosa": The Animals Agenda, 1994

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Por Zoe Weil


River Phoenix, ator, músico e ativista dos direitos dos animais e do meio ambiente, morreu de overdose em 31 de outubro de 1993. Eu não conhecia River, que tinha apenas 23 anos quando morreu, mas eu lamento por ele. E eu lamento por um mundo que perdeu um talentoso jovem cujo amor e compromisso para com a Terra e seus habitantes era um modelo para todos nós.

A morte de River fere muito, não só porque foi tão trágica, mas também por causa do aviso que ela envia. River tinha um talento excepcional, o amor de uma família maravilhosa, dedicada, e amigos que compartilhavam suas crenças. Ele estava cercado por outros que amavam a Terra da mesma forma que ele e que, como ele, sentiam grande tristeza e raiva pela sua destruição. Ele não estava isolado em seus valores, nem sozinho em seu ativismo.

No entanto, apesar do amor e sucesso em sua vida, River foi compelido a tomar as drogas que o mataram. Eu não tenho a pretensão de saber por que ele tomou as drogas que tomou, mas eu imagino que ele - como outros jovens de sucesso, amados e amorosos - tentou encontrar nas drogas escape e consolo para uma vida dolorosa.

Muitos de nós, dos movimentos pelos direitos dos animais e do meio ambiente, temos amigos e conhecidos que sentiram um desespero tão terrível que eles se voltaram para as drogas para se libertar. Eles sentiram a dor infligida a outras formas de vida tão profundamente que ansiaram por alívio de sua dor. Os jovens são as mais fáceis presas deste desespero, enquanto eles lutam para definir a si mesmo e aos seus valores em um mundo que tantas vezes revela-se cruel.

A juventude merece um mundo saudável, mas eles herdarão rios e oceanos sujos, diminuição do número de espécies, aquecimento global, chuva ácida, lixo nuclear e aumento da violência. É de se admirar que os mais sensíveis entre eles - os defensores dos direitos humanos, direitos dos animais e ativistas ambientais - muitas vezes sofram mais?

Deixe River ser um farol, então, uma inspiração chamando aqueles deixados para trás para dedicar-se aos ideais pelos quais ele era admirado. Vamos nos lembrar de sua morte para continuar a trabalhar por um mundo saudável e humano, onde os jovens possam celebrar a vida e não ter que lamentar profundamente e com tanta freqüência. Deixe sua morte nos compelir a ajudar os jovens que se importam com a Terra. Deixe sua morte aumentar o nosso desejo de capacitar os jovens para curar o Planeta, ao invés de perder toda a esperança de que eles possam fazer a diferença.

River fez a diferença a cada dia de sua vida. Espero que sua morte mobilize outros para trabalhar por um mundo mais saudável, com mais compaixão, para que os jovens não se sintam levados a anestesiar-se contra uma cultura cruel demais para suportar, mas, ao contrário, sejam capazes de viver com alegria e paz e amor.


Fonte: The Animals Agenda, em jan/fev de 1994

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

River Chamando ...

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Mensagem gravada por River Phoenix na secretária eletrônica de seu amigo William Richert, diretor de "Uma Noite na Vida de Jimmy Reardon", em 1989.


Olá, Bill.

Se você está dormindo, por favor, por todos os meios, ignore esta mensagem. Mas de fato, se você está acordado, então é melhor que você não me ignore...Eu tive o dia mais incrível. Foi simplesmente lindo, as coisas que eu aprendi, através da dor e através da incompreensão, e a existência totalmente substituída, desconfortavelmente. Eu saí do meu último dia de trabalho (em Te Amarei Até Te Matar) como um triunfante fracasso. Eu estou aqui, não precisa que eu morra, nem precisa que eu beba, porque eu sei que minha alma vai permanecer. E quem vai dizer que ele ou ela é a única, pois eu só sei onde isso começou... Doutor Bill... De onde eu estou vindo? Quem se importa? Preciso saber de onde eles estão vindo para me dar bem com eles? Não. Eu os aceito. Mas eu venho de um lugar que é estrangeiro, um lugar que outros olhos não vêem.... A coisa é tão vaga ... no caso. E você sabia disso. Não há. E. Aguarde. Não é. Não. Claro. Mas talvez. Isso não importa. Todas aquelas palavras. Todas essas frases quebradas. Elas não significam nada. Mas onde foi o momento?... E, em seguida, através do alto-falante, eles ouvem uma vozinha crepitante, dizendo: "Você perdeu o momento." Mas não tome isso para si mesmo. Não carregue esse peso. Não é sua culpa... Eu diria que é seguro supor que as pessoas simplesmente não compreendem."

Beep.

Fonte: Première, em março de 1994

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

"Um Herói Para Todas As Gerações": Starlog, 1989

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Por Dan Yakir

Poeirento e desgrenhado, River Phoenix conta como, em Indiana Jones, ele arriscou-se numa vida de aventura.

River Phoenix já percorreu um longo caminho desde sua estréia como garoto prodígio nerd em Viagem ao Mundo dos Sonhos. Com desempenhos aclamados em Conta Comigo, A Costa do Mosquito e O Peso de Um Passado, o ator de 19 anos de idade parece claramente destinado a uma carreira impressionante. Mas, para além dos elogios da crítica, Phoenix pode muito bem ocupar um lugar na cultura do cinema com seu retrato do jovem Indiana Jones em Indiana Jones e a Última Cruzada, de Steven Spielberg. É uma participação, se breve, uma performance que exige do ator enfrentar cobras, sair ileso da jaula de um leão e sobreviver a um ataque de rinoceronte, todos na tradição de seu eu adulto, como retratado por Harrison Ford. Se Spielberg mudar de idéia sobre fazer mais um capítulo da saga, futuramente, este filme pode ser o canto do cisne de Indy, e Phoenix poderia emergir como o principal candidato para o papel. Entretanto, o ator está assumindo novos riscos com a bizarra comédia de humor negro de Lawrence Kasdan, Te Amarei Até Te Matar, com Kevin Kline, Tracy Ullman, William Hurt e Keanu Reeves.


STARLOG: Como você descreveria o seu papel em A Última Cruzada?

PHOENIX: É toda uma ação ininterrupta... correndo e pulando, girando e torcendo, caindo, pulando, encontrando e fugindo dos bandidos - todo o tipo de coisa. Ele está dentro e sobre um trem de circo, fazendo coisas. É uma pequena parte - somente 10 minutos no início do filme, mas eu gostei muito.

STARLOG: Qual foi o desafio especial em fazer este filme?

PHOENIX: Eu fiz um monte de acrobacias porque me sentia muito no personagem e que ele tinha a fazer era físico. Seria mentir ter alguém para fazer as acrobacias.

STARLOG: Como você entra em um papel? Você interpreta a si mesmo e empresta suas características próprias ao personagem e depois segue com o script? Ou você realmente tenta se transformar em alguém e sentir os seus sentimentos?

PHOENIX: Você não pode simplesmente acordar na manhã seguinte e ser o personagem, por isso é um processo lento. Eu começo por me descartar de quem eu sou, por pensar mais neutro. Você tem que neutralizar a si mesmo antes de se tornar outro personagem. Eu me torno não-dogmático, recusando-me a pensar a partir da perspectiva de River e, então lentamente, eu adiciono características e começo a pensar da forma como o personagem pensaria. Eu fantasio ser o personagem e eu faço jogos mentais comigo até que a transição ocorra.

STARLOG: Como você trabalhou para interpretar o jovem Indy?

PHOENIX: Eu simplesmente tratei de observá-lo [Harrison Ford] e não imitá-lo, mas sim interpretá-lo mais jovem. Imitação é um erro terrível que muitas pessoas cometem quando elas interpretam alguém mais jovem, ou com uma diferença de idade. Imitar não é interpretar de verdade, porque você não pode simplesmente editar algo em torno disso.

STARLOG: Como foi trabalhar com Spielberg pela primeira vez, e com Harrison Ford pela segunda?

PHOENIX: Foi ótimo ver novamente Harrison e Steven é um prazer, um grande cara para se trabalhar.

STARLOG: Harrison Ford foi tão amigável quanto ele foi em A Costa do Mosquito?

PHOENIX: Oh, sim. Ele foi ótimo. Ele estava lá para me ajudar. Ele esteve interpretando Indiana Jones por tanto tempo.

STARLOG: Que tipo de relacionamento que você teve com ele em A Costa do Mosquito?

PHOENIX: Harrison é muito pé no chão. Eu li que ele é frio, mas ele é realmente muito caloroso, só que na posição dele você tem tantas pessoas falsas tentando cavar em volta que você tem que ter uma armadura por cima. Ele é um homem muito, muito bom, sábio e prático. Seus ideais são muito práticos, lógicos. Aprendi muito com ele. A maior coisa sobre Harrison é que ele faz parecer tão fácil atuar, ele é tão casual e tão resistente. Eu tive um ótimo momento (trabalhando com ele). Nós lidamos um com o outro em um nível muito honesto. Eu entendi de onde ele estava vindo, e eu acho que ele entendeu de onde eu estava vindo. Eu não acho que eu o perturbei. Eu não fiz perguntas a ele o tempo todo, em Indiana Jones.

STARLOG: Você sente que você pode tomar o lugar de Ford em algum momento?

PHOENIX: Eu não acho que alguém (além dele) poderia fazer jus ao personagem de Indiana Jones. A produção sem Harrison nunca seria tão boa. Eu acho que deve permanecer do jeito que ele fez isso.

STARLOG: Você ganhou uma indicação ao Oscar por O Peso de Um Passado.

PHOENIX: Eu penso que de alguma forma que eu estou sendo desafiado, que existem grandes mentes lá em cima que gostariam de ver o que eles podem fazer com uma indicação ao Oscar. Eu acho que muita gente iria mudar na forma como eles vêem as coisas depois de uma nomeação. No meu caso, é realmente irrelevante em termos do que eu faço. Ainda assim, foi uma experiência incrível que vou colocar nas minhas memórias, como todo o resto.

STARLOG: Parece que você continua desafiando a si mesmo. Após Espiões Sem Rosto e O Peso de Um Passado você disse que queria parar de interpretar vítimas por um tempo, e depois que você fez A Última Cruzada e Te Amarei Até Te Matar.

PHOENIX: Te Amarei Até Te Matar é sobre o dono de uma pizzaria que corre por aí atrás de mulheres, até que sua esposa - com a ajuda de seus cozinheiros - tenta matá-lo. Eles tentam cinco vezes e ele sobrevive e eles ficam juntos novamente. É uma espécie de "como tentar matar o seu marido e salvar seu casamento", mas é baseado em uma história real. Eu interpreto Devo, um cozinheiro que é muito místico, dentro da filosofia oriental. Eu sou o intermediário, que ajuda a organizar os atos extremos que acontecem no filme.

STARLOG: Qual é o propósito de toda esta trama? Ganância? Travessura?

PHOENIX: Apenas desvio de curso, simples inclinação, espírito visionário, pessoas que acham difícil fazer uma distinção entre realidade e fantasia. É emocional e até mesmo moral, ainda que seja tão sombrio. Eles são todos vítimas da ignorância, de um extremo - uma mentalidade completamente diferente.

STARLOG: É muito diferente do que você fez antes. Qual é o desafio especial aqui?

PHOENIX: Como falamos, Devo está saltando fora dos muros onde quer que eu vá e é muito difícil me deixar de fora e abrir meus olhos.

STARLOG: Será este mais um personagem a assumir o controle sobre você?

PHOENIX: Não, não é tão sensacional. É mais no sentido de fazer exatamente o que o personagem deve fazer: ter uma zona cinzenta entre a realidade e a fantasia. Você realmente não sabe onde você está e você age por instinto ou impulso e acha que talvez o que os personagens do filme fazem seja mais extremo do que aquilo que eles estão punindo. Veja, Devo é excessivamente tomado pelos detalhes da vida, até o ponto onde ele não consegue ver o quadro geral.

STARLOG: Por outro lado, você parece muito consciente do mundo ao seu redor.

PHOENIX: Eu sou completamente apaixonado pela raça humana e por este planeta em que vivemos e vejo a vida como jovem e bela, não porque "eu tenho o mundo em minhas mãos", mas porque é simplesmente a minha realidade. Eu também fico muito frustrado com o ritmo de vida e a forma como o mundo anda. Eu quero que as pessoas se comuniquem melhor uns com os outros. Com toda essa tecnologia atual, isso é o melhor que podemos fazer? É deprimente. Mas há também um lado otimista em mim que acredita que vivemos em uma época incrível e que se todos nós nos unirmos sobre as questões importantes e lutarmos por nossos direitos, como Bob Marley disse, poderemos realmente realizar muito.

STARLOG: O que seria isso para você?

PHOENIX: Uma coisa que eu gostaria de fazer quando eu tiver dinheiro para isso é comprar milhares de hectares da floresta tropical brasileira e fazer um parque nacional, de modo que ninguém possa destruí-la para colocar um McDonald's lá. Eu acho que as pessoas encontram segurança em um Big Mac, mas isso é nosso oxigênio! E o abate em massa de animais é uma abordagem "cocô de galinha". Eu não posso compreender o agricultor que cria a vaca e, em seguida, rasga sua garganta para comê-la.

STARLOG: Você oferece um modelo positivo para os jovens, não só pela força dos ideais que defende, mas, em um nível diferente, pelos personagens que você interpreta. Isto será provavelmente será maior do que antes por causa do jovem Indiana Jones.

PHOENIX: Sim, mas me irrita que nesta sociedade em que estamos sejamos ensinados, desde a mais tenra idade, assistindo televisão, a engolir idéias preconcebidas sobre o que é o homem ideal ou a mulher ideal. É preconceito, realmente. Muitas pessoas conseguem superá-lo, mas muitos permanecem oprimidos, se não estiverem satisfeitos com sua aparência, se eles não se parecem com Robert Redford. É uma pena, porque não deveria ser assim. Quando eu era jovem, eu estava preocupado sobre como os outros me viam e se eu era bom o bastante. Percebo agora que você não pode moldar uma imagem ou tentar ser algo que você não é. No que diz respeito a ser um ator, o seu trabalho fala por si mesmo.


Fonte: Starlog, em outubro de 1989

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Vídeo caseiro dos bastidores de "My Own Private Idaho" (1990)

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Aos 20 anos, River Phoenix entrevista o ex-garoto de programa Michael Parker, que inspirou o seu personagem (Mike Waters) em "Garotos de Programa", como pesquisa para construir o papel. De quebra, toca guitarra acompanhado por seu amigo Flea, do Red Hot Chili Peppers.

A entrevista se realiza na casa do diretor Gus Van Sant em Portland, onde o elenco estava hospedado antes e durante a filmagem principal.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Traços: Beleza e Tristeza

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Por Dennis Cooper


A morte de River Phoenix tem assustado e deprimido todos que eu conheço, até mesmo pessoas que rejeitam o estrelato do cinema por considerá-lo uma forma de hipnose de massa induzida pela indústria. Cerca de 72 horas após seu colapso fatal, eu e um amigo cínico estávamos assistindo uma recente entrevista na televisão em que o jovem ator estava expondo seus planos futuros, e nós explodimos em lágrimas, horrorizados.

Estranho. Isso é o que ficamos dizendo: estranho que ele esteja morto; estranho que nós nos importamos tanto. Phoenix parece ter sido admirado por muita gente em relativo segredo - um artista cuja obra se insinuava nas boas graças dos telespectadores, não importa quão hesitante fosse o instrumento que usasse, nem como inicialmente frio fosse seu público. A saber: enquanto eu escrevo isto, Hard Copy, um programa nem um pouco conhecido por seu valor moral, está elogiando um fotógrafo paparazzi, que não conseguiu forçar-se a fotografar as convulsões da morte do ator.

O discurso nas ruas, mesmo nas colunas de fofocas, tinha sempre Phoenix vivendo uma vida muito digna e pura em relação à vida de seus pares, uma leitura poética, vegetariana, de espírito aberto, vida democrática, livre da deformação de Shannon Doherty, da auto-destrutividade de Judd Nelson e do estilo bombástico de Mickey Rourke. Às vezes você ouve sobre ele em pé, tenso e arisco nas margens da abertura de alguma galeria de arte; o artista Bob Flanagan, membro da trupe de comédia de improvisação do Groundlings, lembra Phoenix cambaleando bêbado sobre o palco durante uma de suas sátiras. Mas grande negócio. Ele era um garoto. Principalmente, ele parecia, se alguma coisa, demasiado sério, demasiado incapaz de relaxar em uma insensatez benigna, nem mesmo por um minuto.

Em uma edição recente da revista Detour, ele positivamente esfoliou muitos de seus colegas atores por serem dirigidos pelo ego, e falou de querer mudar-se não apenas para fora de LA, mas para fora deste desgraçado país inteiro. No entanto, ele continuou a viver aqui, e ele aparentemente morreu sob a influência de drogas em uma boate da moda local. Por isso, é difícil saber o que pensar agora.

A morte sempre centra as pessoas, mesmo quando o processo de desmistificação leva anos em alguns casos. Isso não deve acontecer com Phoenix, uma vez que sua sinceridade e franqueza nunca estiveram em discussão. Em última instância, salvo revelações imprevistas, o seu nome, seu trabalho, vão adquirir a peculiar santidade do culto que as pessoas naturalmente criam para preencher os espaços vazios em torno do prematuramente tomado.

Phoenix será o nosso James Dean, assim como muitos especialistas estão prevendo. Entretanto, por padrão, seus típicos companheiros "outsider" como Keanu Reeves, Matt Dillon, etc. estarão presos sendo nosso Marlon Brando, se tiverem sorte. E isso é porque os atores não podem competir com a imaginação dos seus fãs, e as realizações que nós vamos fantasiar para um hipotético Phoenix maduro não vai contribuir, mas ultrapassar as potenciais façanhas de um genuíno Phoenix na meia-idade. A vida é engraçada, e até um pouco nojenta, dessa forma.

As comparações entre Phoenix e James Dean são preguiçosas, além de onipresentes neste momento, apesar deles compartilharem várias das qualidades que separam os grandes atores de meros significantes de glamour. Ambos eram extremamente atentos aos detalhes e aparentemente incapazes de mergulhar as suas emoções reais em uma personalidade artificial. Não importa o quão periférico fosse o papel de Phoenix - um desmiolado hippie juvenil em Te Amarei Até Te Matar, o poeta/Casanova em Uma Noite na Vida de Jimmy Reardon, o fiel filho assustado do megalomaníaco Harrison Ford em A Costa do Mosquito, ele sempre foi um pouco mais perspicaz e emotivo, mais real - do que qualquer outra pessoa na tela.

Mesmo em um ambiente distante e deslocado como a cena da prostituição nas ruas de Portland de My Own Private Idaho, o Mike de Phoenix se destacava como extraordinariamente solitário - alguém que estava com medo, e ao mesmo tempo surpreso com suas condições miseráveis, que procurava desesperadamente afeto dos outros enquanto ao mesmo tempo evitava simpatizantes como uma praga. Foi um desempenho que, como a maioria de Dean, parecia destilar a confusa melancolia de uma geração emergente.

Phoenix era filho de pais hippies. Às vezes ele descrevia seu estilo de atuar como uma tentativa de representar como se sentia entre a negociação do humanismo acolhedor de sua família para o ódio da indústria cinematográfica pelo indivíduo impenitente. A atriz-performer Ann Magnuson, que co-estrelou Jimmy Reardon ao lado de Phoenix, uma vez me disse com uma espécie de espanto quão forte e puro ele parecia até então, na fase de ídolo adolescente de sua carreira. Como alguém que entrou no showbiz com seus próprios sentimentos mistos, ela quis saber como ou mesmo se ele iria sobreviver às múltiplas formas da corrupção.

Talvez essa luta explique o porque, à medida em que amadurecia, suas performances exalavam tristeza cada vez maior e apontavam desconforto. Sua obra mais recente encontrou-o interpretando crianças crescidas que se agarravam, para as suas vidas, às noções da juventude de um perfeito amor romântico e/ou familiar.

Em uma profissão que divide seus jovens em loucos marginalizados com integridade como Crispin Glover e John Lurie, ou "hipster sellouts" como Christian Slater e Robert Downey Jr., Phoenix era aquele ator único-em-uma-década honesto o suficiente para se conectar poderosamente com as pessoas da sua geração, e habilidoso o suficiente para lembrar aos membros de uma geração mais velha da intensidade que eles tinham perdido.


* Dennis Cooper é um romancista, poeta, crítico, editor e artista de performance, notável por ter transportado a estética visual e verbal do punk para a escrita. (Wikipedia)


Fonte: Spin Magazine, em janeiro de 1994

sábado, 11 de dezembro de 2010

"Rio Profundo" [Parte 1]: The Face Magazine/1989

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Por Andrew Macdonald


"Quando eu era muito jovem, ficamos abandonados na Venezuela sem nenhum dinheiro. Morávamos em um barraco em uma praia que não tinha banheiro e estava infestado de ratos - realmente horrível. Mas eu nunca tinha medo. Quando você é criado na estrada você não tem medo dessas coisas, você não as questiona. Tivemos fé, muita fé. Meus pais haviam sido missionários, mas se desiludiram com a seita religiosa em que eles estavam. Minha irmã Rainbown e eu cantávamos nas esquinas, nos hotéis e aeroportos, em qualquer lugar onde se poderia ganhar algum dinheiro para a comida. Quando não havia dinheiro suficiente, nós orávamos e comíamos coco que encontrávamos na praia."

Em uma suíte do luxuoso hotel em Los Angeles, aos 19 anos, River Phoenix recorda o início da estranha odisséia que o levou de um estilo de vida alternativo ao colo de luxo ofertado por Hollywood. Sentado em uma cadeira de espaldar reto, em seu flat, os cabelos de ouro caindo suavemente sobre seus olhos, não tão em desacordo com a elegância em torno dele como fora dele, ele fala em tons suaves, muito suaves.

"Se eu tenho alguma fama, eu espero que eu possa usá-la para fazer a diferença. A verdadeira recompensa social é que eu posso dar minha opinião e compartilhar meus pensamentos sobre o meio ambiente e a própria civilização. Há tanta merda acontecendo com as pessoas que estão tirando proveito de suas posições e criando um monte de negatividade."

Ele diz isso muito sinceramente, e com humildade suficiente para te convencer rapidamente, afinal de contas, as celebridades mais famosas falaram da boca pra fora sobre o planeta antes e têm feito muito pouco sobre isso. Mas não há dúvida sobre a sinceridade de River Phoenix e é esta qualidade que o tornou o pretendente favorito ao estrelato em Hollywood.

A trilha hippie leva a muitos lugares, mas raramente a Hollywood. Como River Phoenix chegou a se tornar, aos 19 anos, uma das mais quentes promessas do cinema é uma odisséia que nenhum roteirista da época poderia inventar.

"River não tem um osso falso em seu corpo", diz o diretor Sidney Lumet sobre o desempenho de Phoenix em O Peso de Um Passado, que em breve será lançado por aqui. "Ele não pode dizer uma frase falsa. Ele parou no meio de uma cena enquanto estávamos filmando e disse: 'Isto parece falso para mim.' Eu ouvi novamente. Ele estava certo. Cortei a cena. Enquanto River seguir seus instintos, escolher as coisas em que ele acredita, nada poderá pará-lo. Vi-o pela primeira vez em Conta Comigo e ele tinha essa extraordinária pureza sobre ele."

"Depois ele fez A Costa do Mosquito e você sentiu o crescimento do seu poder ser subestimado."

"Havia um par de filmes que ele poderia não ter feito: Espiões Sem Rosto e Jimmy Reardon - roteiros terríveis, mas ele não tinha, na época, a opção que ele tem agora. Ele ainda tem um longo caminho a percorrer. Ele tem que fazer a transição de ator infantil para adulto, mas ele tem tanta inteligência e um coração tão bom que eu não tenho qualquer dúvida que ele vai fazer isso."

A enorme variedade de desempenhos na lista de filmes feitos por Phoenix deve fazer outros atores chorarem. Em seu primeiro filme, em 1985 - Viagem ao Mundo dos Sonhos de Joe Dante - ele interpretou um pequeno gênio cientista. Em 1986, em Conta Comigo, de Rob Reiner, sucesso surpresa de rito de passagem, ele interpretou um dos quatro garotos que descobrem um corpo em uma viagem de uma noite de acampamento. Ele assume a liderança e se torna uma influência estabilizadora. Era uma parte substancial e Phoenix voou por instinto, levando o diretor Peter Weir a lançá-lo como o filho de Harrison Ford em A Costa do Mosquito. Seu papel apresentou um bravo desempenho de tranquila intensidade, como o garoto forçado a lidar com um pai fora de sincronia com a realidade. Ele era agora alguém para se prestar atenção. Em termos de Hollywood, ele era hot. (Hot o suficiente para lhe ser oferecido o papel do jovem Indy na terceira aventura de Indiana Jones. "Eu queria fazer algo leve, puro entretenimento", diz Phoenix. "Eu amo os filmes de Indiana Jones e fazer parte de um foi muito divertido para mim.")

Seus dois próximos filmes, Espiões Sem Rosto e Uma Noite na Vida de Jimmy Reardon, não refletem nem o seu estatuto de crescimento, nem seus melhores instintos. Em Espiões ele interpreta um menino americano comum que descobre que seus pais são espiões russos. Em Jimmy Reardon ele é moldado como um típico adolescente ardendo sobre drogas e sexo. "Tive alguns problemas morais fazendo esse filme", diz Phoenix.

"Não é que esses personagens não existam, mas não tenho certeza de quão valioso seja esse tipo de filme. Digamos que eu levei esses trabalhos com uma insegurança, um sentimento de que eu poderia nunca mais trabalhar novamente."

Mas a insegurança e o desenraizamento são uma parte da sua herança. River Phoenix nasceu em uma cabana em Madras, Oregon, em 23 de agosto de 1970. Seus pais, John e Arlyn Phoenix, estava colhendo maçãs, tentando, como tantos jovens dos anos sessenta, cair fora do convencionalismo para encontrar uma forma alternativa de vida. Era o auge do movimento de protesto contra a Guerra do Vietnã, de desinformação deliberada do governo, do questionamento da autoridade.

Houve alguns momentos difíceis, admite Arlyn Phoenix, uma mulher pequena, com cabelos curtos e um rosto sereno. Mas ela nunca se sentiu tentada a voltar a fazer parte do pacote. "Eu poderia ter [voltado] em algum momento. Mesmo com os cinco filhos (depois de River veio Rainbown, Leaf, Liberty e Summer) eu poderia ter dito: "Eu vou ligar para minha mãe. Minha família não é rica, mas sempre poderia ter vindo com  1000 dólares para as passagens aéreas. Nunca cheguei a isso. Nunca me pareceu uma alternativa mais interessante do que o plano que estávamos vivendo. Eu não consigo imaginar isso de outro jeito. Lembrei-me da vida que eu vivia em Nova York, como secretária, compras na Saks da Fifth Avenue. Eu sabia que minhas respostas não estavam lá. Nunca houve qualquer dúvida sobre voltar ou do que fazer a seguir. Todos evoluem."


Continua...


Fonte: The Face, em julho de 1989

"Rio Profundo" [Parte 2]: The Face Magazine/1989

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Arlyn conheceu John em Los Angeles e juntos saíram para buscar satisfação espiritual, juntando-se a uma comunidade no Oregon, onde River nasce. Mais tarde, após tornar-se parte de uma seita religiosa, os Meninos de Deus, eles começaram a pregar o seu evangelho em lugares distantes. Para River, isso significou uma existência itinerante. A insegurança física foi equilibrada pelo amor familiar, e com a família se mudando novamente, ela cresceu. Rainbown nasceu no Texas, Leaf, em Porto Rico, Liberty na Venezuela e Summer na Flórida. Seus nomes, diz Arlyn "são para lembrar as pessoas das coisas bonitas em volta."

Quando a família cresceu, cresceu mais próxima. "Estávamos todos juntos nisso", diz Phoenix, enrolando e desenrolando uma folha de papel enquanto ele fala, esticando as pernas na frente dele, caindo um pouco em sua cadeira. Ele é educado e paciente, mas você tem a sensação de que ele preferia estar lá fora com os amigos, ouvindo música ou o que ele chama de "apenas brincando" do que falar sobre si mesmo. "E é tudo muito igual. Respeitamos os nossos pais e eles nos respeitam. Mesmo quando éramos mais jovens, isso nunca foi: 'Bem, eu sou o pai e você é o filho.' Você não seria travado por causa de sua idade. Exatamente o oposto. Meu pai costumava dizer: 'O mais jovem começa a gritar mais alto, porque eles nunca o escutam!' Meu pai fala com Summer, que é a mais jovem, da mesma forma que ele fala com o meu avô ou com qualquer um. Eles sempre nos deram uma parte justa."

"Nós nunca tratamos eles como crianças", Arlyn concorda "mas como novos amigos acrescentados. E eles sempre tiveram a sua parte do negócio. Nunca foi tipo, 'Nós sabemos melhor, porque nós somos os pais.' Era mais como, 'Esta é a primeira vez que nós estamos fazendo isso também. O que você acha?' E as crianças eram tão sábias. Se nós cometemos um erro, nós fizemos isso juntos. Mas se você se abrir, um caminho se apresenta. Você encontra o caminho certo."

Para além desta filosofia hippie dos anos sessenta um caminho se apresentou e levou direto para o show business. Todas aquelas pessoas jogando moedas para as crianças nas ruas de Caracas apontou o caminho. River podia agora lidar com uma guitarra e tinha descoberto um talento natural. A família pulou em um cargueiro para a Flórida, uma passagem no caminho para Hollywood. Na Flórida, eles entraram em todo tipo de concurso de talentos infantis amadores que puderam encontrar. Os garotos bonitos com os nomes estranhos atraiam os jornais, e logo um caçador de talentos do estúdio convidou-os a aparecer se algum dia passassem por Los Angeles. A família bancou a aposta mais uma vez, colocou os filhos na traseira de uma velha caminhonete e dirigiu por todo o país até a Califórnia.

Os dias de hippie acabaram. Arlyn conseguiu um emprego como secretária em uma rede de TV, enquanto John ensaiava as crianças e as levava em testes. Desta vez, no mundo real, suas idades trabalharam contra eles. Os executivos de talento se preocupavam com crianças, embora bonitas, cujas vozes podem mudar e visuais podem desaparecer. Eles tentaram outra tática. John levou River a testes para comerciais, onde o seu visual coberto de pureza - conseguiu o trabalho e o pagamento era sempre bom. Mas River se opôs. Depois de alguns comerciais, disse a seus pais que ele não estava confortável vendendo produtos em que não acreditava. Embora eles precisassem do dinheiro, respeitaram os seus desejos.

Dos comerciais veio um papel numa série de TV, atuando assim como tocando guitarra. River adorou atuar, sentindo que sua educação tinha ajudado a prepará-lo para caber em outros personagens. O trabalho no cinema veio logo em seguida. O trabalho era constante e os rendimentos permitiram que a família realizasse um sonho antigo. Eles compraram dez hectares de terras na Flórida e construíram uma casa para a família inteira. Arlyn assumiu a gestão das carreiras de seus filhos (por esta altura, Leaf e Rainbown também estavam atuando), e John retirou-se para plantar uma enorme horta orgânica para cultivar seus próprios alimentos.

"Eu moro com a minha família na Flórida", diz Phoenix "porque para mim agora oferece uma espécie de estabilidade que eu nunca tive. Nós sempre nos mudamos muito. Seria difícil se meus pais fossem condescendentes ou superiores, mas eles não são. Suponho que chegará um momento em que eu sentirei uma necessidade de explorar outras coisas, mas não será uma rebelião. Só uma curiosidade natural."

Pode ser difícil para Phoenix afastar-se dos caminhos peculiares de sua família. Apesar de terem abandonado o estilo de vida hippie, a moralidade dos anos sessenta, através da qual vivem e que River abraça, não é nenhum manifesto yuppie dos anos oitenta. A dureza do olhar na busca pelo dinheiro e pelos bens materiais é estranho para ele. "Meu sonho verdadeiramente grande", diz ele, curvando para a frente em sua cadeira e encarando atentamente "é comprar um pedaço de terra e trazer todos os tipos de crianças de rua e crianças de lares adotivos ou crianças que tenham entrado e saído das instituições para doentes mentais, vivendo lá por causa de suas idéias estranhas. Haveria uma equipe de voluntários que gostasse de viver neste tipo de cenário rural. Eles cultivariam seu próprio alimento e as crianças teriam a responsabilidade de retirar as ervas daninhas e regar ou o que quer que fosse.

"Nós também teríamos muitos cães e carros e animais que estavam desabrigadas. As crianças poderiam ter um animal como seu e teriam esse ciclo de cuidar de algo. A fazenda teria painéis solares e seria autosuficiente. Não seria isolada, porque seria toda uma comunidade em si mesma. Haveria espaço para a expressão individual e a criatividade. Seria realmente maravilhoso."

Ele poderia ter um Porsche, mas River Phoenix não pensa dessa forma. Ele tem uma seriedade que muitas vezes se reflete em seus papéis nos filmes. O Peso de Um Passado é um caso em questão. É a história de Arthur e Annie Pope, radicais dos anos sessenta, cujo bombardeio num protesto anti-guerra atingiu uma fábrica de napalm e acidentalmente cegou um guarda de plantão. Eles estão fugindo desde então do FBI por 15 anos, vivendo uma vida subterrânea e criando os seus dois filhos para terem pés velozes, nunca olharem para trás, não confiar em ninguém. Isso funciona bem o bastante enquanto as crianças ainda são jovens, mas Danny Pope, interpretado por Phoenix, tem 17 anos e um é músico talentoso apenas terminando o colegial. Em uma família normal, ele teria automaticamente passado a estudar música, mas Danny não pode sequer pensar nisso: as formas e a história familiar exigidas exporia seus pais a uma captura e uma provável sentença de prisão. A história é contada através de Danny, que se apaixona pela filha do professor de música (interpretada por Martha Plimpton, a namorada de Phoenix na vida real), e pela primeira vez, ele se sente obrigado a dizer a verdade sobre si mesmo e sua família. O filme é um olhar doloroso em uma relação que requer desapego, e explora o efeito de paixões políticas em uma família.

"As pessoas pensam que os Popes são como a minha família, mas eles não são", diz Phoenix. "Meus pais nunca estiveram fugindo. Mudávamos porque não podíamos pagar o aluguel ou algo assim. Meus pais sentem simpatia pelos Popes, mas eles são pacifistas. Minha mãe nunca iria jogar uma bomba. Simplesmente não é da sua natureza. Além disso, na minha família somos brutalmente honestos um com o outro. Nós não escondemos os sentimentos da forma como os Popes fazem. E eu não acho que eu largaria ou jamais feriria a minha família. É o contrário, na verdade. Nunca tivemos esse tipo de vida familiar estável antes e eu estou gostando. Gosto de vir para casa e ter os membros de minha família em volta. E," acrescenta ele, com um brilho inesperado nos olhos, "a comida é muito boa."


Fonte: The Face Magazine, em julho de 1989

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Nos bastidores de "Indiana Jones e a Última Cruzada": River Phoenix

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Este vídeo traz cenas dos bastidores das filmagens da participação de River Phoenix em "Indiana Jones e a Última Cruzada". River, Harrison Ford, o diretor Steven Spielberg e os produtores contam como e porque ele foi escolhido para o papel do jovem Indy.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Memórias de River ...

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Iris Burton, agente de River Phoenix:

"Eles vieram para mim quando eram crianças, a família inteira. Eu os tive desde que River tinha, tipo, uns nove anos. Ele era a criança mais bonita que você possa imaginar, como um pequeno Elvis. Eles todos têm nomes diferentes, quem diabos sabe o porquê. Heart, Liberty, Summer. Toda semana eles se mudavam. Earth, Wind and Fire."

"Eles disseram que não iriam fazer comerciais, porque eram vegans. Eu disse: "Que diabos é um vegan?!" Eu pensei que era um alienígena. Eu disse, "Então eu acho que você não fará os comerciais da Kellogg's.  Eu acho que você não vai fazer o MacDonald's."

"Fomos a Tóquio para a estréia de Conta Comigo... Ele foi para o parque em frente ao Hotel Imperial - meninos e meninas estavam tocando violão lá - e ele disse, "Venham, venham até o quarto." E o quarto ficou cheio de crianças vindas do parque, e ele tocava violão para elas e lhes dava frutas e sucos."


Sky Sawirski, amigo e antigo apoiador da banda Aleka's Attic:

"Eu me apaixonei por River quando o vi tocar violão aos sete anos, cantando "You Gotta Be a Baby" em todas as línguas que você possa imaginar. Desde latim, espanhol, francês, russo, suaíli, pelo menos vinte línguas. River era definitivamente alguém que era um adulto aos sete anos. Você poderia ter uma conversa com ele como você poderia ter com uma pessoa de 30, 40 anos de idade."

"Ele era um vegetariano radical, um vegan - mas isso não era sobre a saúde, isso era todo sobre não matar. Esse é um ponto realmente importante. Ele queria ser livre, ele não queria estar preso a qualquer coisa. Ele não tinha medo de nada. Ele não tinha medo."


Reid Rosefelt, publicitário de "A Costa do Mosquito":

"Mas River não era o tipo de pessoa com quem você fica preocupado. Seu pai diria algo como: 'Ei, cara, vamos para a Guatemala'. E River diria: 'Ouça, pai, eu sei que tenho quinze anos e que eu deveria me divertir. Mas eu tenho que fazer a minha cena amanhã e eu tenho que aprender as minhas falas e eu tenho a responsabilidade de estar no set e estar descansado.' Ele era muito carinhoso com o pai."


Nancy Ellison, fotógrafa especial de "A Costa do Mosquito":

"Ele queria ser um músico de rock como Sting. Ele estava falando de mudar seu nome para Rio, um único nome, como o Sting, ele não achava que River Phoenix era um nome interessante. Lembrei-lhe que ele também poderia ser como Charo! Ele respondia imediatamente às suas provocações."

"No estúdio de fotografia, ele tentaria fazer algo inesperado. Às vezes seria algo tolo, perigoso, inconseqüente, mas me deparei com uma foto onde ele está iluminando a sua língua com um isqueiro. Eu não acho que ele estava realmente se queimando, mas na imagem parece que ele está."


William Richert, diretor de "Uma Noite na Vida de Jimmy Reardon":

"Toda vez que ele vinha me visitar, ele aparecia com todos os diferentes tipos de coisas vegetarianas, ele estava sempre tentando me tirar da carne animal. Ele comprou hectares e hectares de florestas. Ele não investia em condomínios; ele comprava florestas tropicais. Ele gastou milhares e milhares de dólares, apenas para que elas não fossem cortadas. Isso é o que ele estava fazendo com seu dinheiro."


Fonte: Revista Prèmiere, em março de 1994

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"River Phoenix, Menino Natureza": Sky Magazine, 1989

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Por Dan Yakir


Na locação, em Tacoma, Washington, onde ele está filmando Te Amarei Até Te Matar, com William Hurt, Kevin Kline e, estranhamente, Tracey Ullman, River Phoenix, aos 18 anos, é o perfeito e tranquilo profissional. Uma indicação ao Oscar por O Peso de Um Passado, em que, coincidentemente, interpreta o filho de radicais dos anos 60, não o tornou mais impressionado com Hollywood. Na verdade, ele vive no lado oposto do continente, na Flórida.

O veterano de A Costa do Mosquito, no qual ele interpretou o alternadamente confuso e solidário filho de Harrison Ford, e vindo de histórias antigas, Conta Comigo e Uma Noite na Vida de Jimmy Reardon.

Phoenix nasceu de parto natural no Oregon e foi batizado como o Rio da Vida em Siddartha de Herman Hesse. Seus pais eram missionários de uma organização chamada Meninos de Deus e, condizente com o legado hippie que inspirou sua criação (e de seu irmão Leaf, e as irmãs Raibown, Liberty e Summer), ele é um vegetariano, um conservacionista, um romântico incurável e algo de um idealista.



SKY: Você cresceu em circunstâncias bastante singulares. Você se sente diferente, fechado em seu próprio universo? (Risos) Você fala como um idealista, mas estamos vivendo em um mundo materialista.

PHOENIX: Sim, eu tento ficar longe disso. Eu não sinto que sou apegado às coisas materiais, embora eu tenha todo o conforto que um monte de gente não tem. Tenho as conveniências modernas de um liquidificador, um banheiro, um chuveiro. Muita gente tem que fazer suas coisas na sarjeta.

SKY: Mas você tem muito mais que isso neste momento!

PHOENIX: Neste ponto, sim, eu tenho um automóvel, uma boa guitarra - na verdade, algumas delas, mas eles não são realmente extravagantes. Mas, sabe, até três anos atrás, nós, esta família, estavámos preocupados com o pagamento do aluguel. Foi depois de Uma Noite na Vida de Jimmy Reardon que pela primeira vez tivemos estabilidade financeira. Foi quando nós compramos um carro que não era velho ou usado. Um dos nossos maiores sonhos é ser dono de uma fazenda, para ter um acampamento base, onde as crianças possam crescer em um belo cenário. Mas agora nós realmente não temos dinheiro suficiente para comprar o lugar que queremos.

Eu não estou vestido na coisa toda: eu vivo de forma muito simples. Eu sinto que há diferentes fases na vida de alguém, e eu poderia em algum momento decidir me dedicar a um caminho mais espiritual, abandonando todos os bens materiais ... Simplesmente sair para o mato em algum lugar e viver como um homem-macaco por um tempo. Isso é algo que me fascina.

SKY: Você já fez isso, não é mesmo?

PHOENIX: Não realmente, não por escolha. E foi mais como uma situação desesperadora. Meus pais fizeram isso, porém. Partiram no final dos anos 60 e viveram pela fé em toda a década de 70.

SKY: Quão difícil foi esse período para você? Sentiu-se resignado a estar lá com eles ou não se revolta?

PHOENIX: Não, não, não, nós sempre fomos muito próximos e unidos desde o começo, você simplesmente nasce dentro daquela realidade e a aceita. Sou muito grato pela minha infância e por crescer na situação que eu cresci em América do Sul, vivendo em torno de pessoas que eram muito humildes, com um estilo de vida que exigia muita fé, sem dinheiro. Você não pode ser um imbecil nessa situação. Você tinha que trabalhar com as pessoas para sobreviver. Aprendi muito sendo muito jovem, e eu espero não perder isso. Obviamente, eu perdi muito da minha inocência. Eu era muito ingênuo quando cheguei aos Estados Unidos, e quando eu cheguei a Hollywood. Mas eu acho que poderei olhar para trás daqui a alguns anos e me ver como muito ingênuo. Tudo é relativo.

SKY: É uma estranha coincidência que, em seu novo filme, O Peso de Um Passado, você interpreta um garoto que tem um profundo conflito de interesses com seus pais. Em Espiões Sem Rosto também há um fosso quase intransponível entre sua personagem e seus pais.

PHOENIX: Sim, uma vítima. Isso é algo de que eu quero fugir. Mas os dois filmes são realmente diferentes. O Peso de Um Passado é sobre ex-radicais que explodiram um laboratório de napalm durante a Guerra do Vietnã, e desde então têm sido procurados pelo FBI, não por razões egoístas, mas por causa dos filhos - eles queriam nos criar, eles mesmos, não nos fazer crescer em lares adotivos ou em uma instituição. O único problema é que tivemos de viver completamente escondidos, sempre em movimento, usando nomes diferentes - tendo sempre que mentir, a fim de viver uma vida inteira, eles têm de mentir para o Danny, meu personagem, e ele tem que mentir para si mesmo, suprimir seus sentimentos verdadeiros.

SKY: Como você conseguiu proteger sua individualidade dentro de sua própria família?

PHOENIX: Nós todos parecemos completamente diferentes uns dos outros e todos temos as nossas coisas distintas. Leaf era o palhaço da família, o comediante - muito espirituoso e inteligente. Raibown era a irmã mais velha e criadora de tendências. Mamãe tinha que trabalhar muito, então ela assumiu o seu lugar. Eu tocava guitarra ... ia muito para o meu quarto e tinha um lado realmente pateta em mim, muito cafona - rindo sobre coisas estúpidas, fazendo barulhos de peido com a boca. Um monte de piadas. Liberty foi sempre a mais física, como uma acrobata - ágil, esguia, forte, uma menina muito bonita, e Summer era a mais nova, a caçula da família, com grandes olhos castanhos e cabelo loiro. Ela tem o visual típico da americana branca. Liberty e Raibown têm um visual mais étnico - israelense ou italiano.

SKY: Nunca houve rivalidade entre vocês?

PHOENIX: Não. Nós já passamos por muita coisa. Somos uma família muito emotiva e muito expressiva com os nossos sentimentos. Ultimamente, temos tentado nos comunicar sem gritar todos de uma vez só. Pode ser o verdadeiro caos, mas nós estamos chegando a uma ciência, finalmente!

SKY: Quão aberta é sua família sobre sexo?

PHOENIX: Muito aberta. Eu sempre tive um boa introdução sobre temas como o sexo. Falamos sobre um monte de tabus que muitas famílias não falam e se o fazem, será tipo,"Querida, eu espero que você esteja usando um anticoncepcional" e a resposta é: "Mãe!" Isto é, na medida em que eles o fazem.

SKY: Como isso afeta você, quando as pessoas o consideram um símbolo sexual?

PHOENIX: Para ser honesto, eu realmente não penso sobre isso. Nós saimos de Los Angeles para a Flórida Central e realmente é agradável ficar longe das festas de publicidade - não que eu já tenha ido a elas. Mesmo na cidade, sempre fui um outsider. Eu não saio com uma multidão de estrelas de cinema. É tão falso e irreal e pretensioso. Eu nunca vou caber nisso, de nenhuma forma ...

Acho que eu poderia desempenhar o papel, mas isso não me atrai. Quando você pergunta o que isso faz para o meu ego, me sinto afortunado de que eu não penso assim. Eu não fantasio sobre elas fantasiando sobre mim. Eu não sei mesmo o que fazer. A única coisa que me lembra disso são as cartas dos fãs que eu tenho, e recebo tantas delas que não posso respondê-las: minha tia começou um serviço postal para fãs. Às vezes, quando eu vou em uma loja local para buscar uma garrafa de suco de laranja e me vejo na capa de uma revista teen, eu a abro por curiosidade e me choco - o que eles escrevem sobre mim é tão assustador, tão estranho e irreal. Eles simplesmente tiram a sua originalidade. O símbolo sexual - isso é o que eles estão buscando e é isso que eles tentam construir em torno de você.

SKY: Você se sente abençoado, tendo mais do que seu quinhão de inteligência, aparência e oportunidades?

PHOENIX: Sim, eu me sinto abençoado, eu tenho realmente uma boa base, sólida. Mesmo quando passamos por momentos difíceis, éramos honestos sobre o assunto. Os nossos pais nos tratavam como iguais. Summer fala e tem uma palavra a dizer, tanto quanto o meu pai - não que ele seja um covarde, são simplesmente iguais. É um esforço inovador, onde todos nos concentramos em um objetivo comum. Eu me lembro de estar na Venezuela, e meu pai dizer que precisávamos de uma casa, uma fazenda, uma propriedade, e uma vez que a tivéssemos, nós poderíamos fazer muita coisa boa para o mundo - construir casas para as crianças de rua e para as pessoas que usam drogas e têm problemas psicológicos. E isso se estende a coisa dos animais também. Eu sinto que minha família está muito consciente do mundo e gostaríamos de contribuir para ele e não abusar de uma posição que temos a sorte de estar vivendo.

SKY: Como você expressa raiva? Pode ser cansativo estar em um estado de espírito positivo o tempo todo ...

PHOENIX: Sou muito espontâneo. Nós todos temos raiva e podemos tentar contê-la apenas a título de cortesia para os outros. Mas, às vezes, as coisas podem provocá-lo, e então você está fora. Eu sou um tipo de pessoa neutra e eu não me sinto ofendido facilmente. Eu não sou um tipo invejoso ou de manipulador, mas eu posso ficar na defensiva, às vezes. Eu acho que é quando eu poderia ficar com raiva - quando as pessoas cutucam minhas inseguranças ou revelam algo que eu sinto que não quero falar.

SKY: Que inseguranças poderiam ser estas?

PHOENIX: Todo mundo tem, mesmo se você for o Paul Newman. Quando você está classificado como um jovem ou uma jovem de boa aparência, você está sob pressão de fazer jus a isso. Isso é algo que eu não me preocupo muito. Eu costumava, quando eu era mais jovem. Eu ficava olhando para meu cabelo e ficava muito preocupado sobre como os outros me viam e se eu era bom o suficiente. Percebo agora que você não pode moldar uma imagem ou tentar ser algo. Seu trabalho fala por si só.

SKY: Em O Peso de um Passado, você interpreta um garoto que encontra salvação em suas próprias músicas. Você escreve sua própria música. O que você quer escrever?

PHOENIX: Temas diferentes, da mãe Terra a conflitos de personalidade. Eu a chamo de folk rock progressivo etéreo, é o meu próprio mundinho. Agora tenho uma banda e no ano passado tocamos em faculdades no oeste dos EUA, mas eu não estou pensando em álbuns. Eu só gostaria de tocar ao vivo e desenvolver o envolvimento pessoal com o público.

SKY: Você disse que se conecta mais com as pessoas e os sentimentos do que lugares e coisas.

PHOENIX: Sim, e as lembranças também. Minha vida é estranha, porque eu não tive uma casa. Nós sempre nos movimentamos, então minha única referência é a família, não um bairro ou uma escola. Minha vida é muito espontânea e flutuante.

SKY: Você estudou karatê. Você se considera uma pessoa física?

PHOENIX: Não, eu sou provavelmente uma pessoa mais mental do que física. Eu provavelmente tenho mais de um músico em construção do que de um ginasta. Recentemente, entrei para uma academia e eu estava indo muito bem, sentindo os músculos que eu nunca senti antes - meus braços são muito finos - e, em seguida, houve o vírus da gripe que circulou pela cidade e eu peguei isso! Foi um pontapé na saúde!

SKY: Você expressa afeição física livremente?

PHOENIX: Eu sou muito carinhoso com os amigos, mas às vezes posso ser muito reservado e introspectivo, com uma expressão vazia no rosto. Eu posso sentir grandemente em minha mente, mas as pessoas podem pensar que estou deprimido porque eu não estou demostrando emoção. Eu tento não ser agressivo, mas às vezes você só quer lutar.

SKY: Que tipo de relacionamento que você teve com Harrison Ford em  A Costa do Mosquito?

PHOENIX: Harrison é centrado. Eu li que ele é frio, mas ele é realmente muito caloroso, só que na sua posição você tem tantas pessoas falsas tentando cavar ao redor que você tem que ter um escudo por cima. Ele é um homem muito, muito bom, sábio e prático. Seus ideais são muito práticos, lógicos. Aprendi muito com ele. A maior coisa sobre Harrison é que ele faz parecer tão fácil atuar, ele é tão casual e por isso ... resistente. Ele me parece como seria um pai muito bom. Lidamos um com o outro em um nível muito honesto. Entendi que ele estava vindo, e eu acho que ele entendeu que eu estava vindo.

SKY: E em 'Indiana Jones'? Ele foi muito favorável?

PHOENIX: Oh, sim. Ele foi ótimo. Ele estava lá para me ajudar quando eu precisei. Eu gostava de apenas olhar para ele e não imitá-lo, mas interpretá-lo mais jovem. Imitação é um erro terrível que, muitas pessoas cometem quando elas interpretam alguém mais jovem, mas isso não é interpretar.

SKY: Foi divertido para você fazer o filme?

PHOENIX: Foi emocionante! Eu fiz um monte de acrobacias porque me sentia muito no personagem e o que ele tinha a fazer era físico. Teria sido mentir ter alguém para fazer as acrobacias.

SKY: O que exatamente você fez nas filmagens?

PHOENIX: É toda a ação ininterrupta... correndo e pulando, girando e torcendo, caindo, pulando, encontrando, fugindo dos bandidos - todo o tipo de coisa. Ele está dentro e sobre um trem de circo, fazendo coisas. É uma pequena parte - somente 10 minutos no início do filme, mas eu gostei muito.

SKY: E Te Amarei Até Te Matar?

PHOENIX: É sobre o dono de uma pizzaria que corre por aí atrás de mulheres, até que sua esposa - com a ajuda de seus cozinheiros - tenta matá-lo. Eles tentam cinco vezes e ele sobrevive e eles ficam juntos de novo. Ele é baseado em uma história verdadeira, e eu interpreto Devo, um cozinheiro que é muito místico, dentro da filosofia oriental. Eu sou o homem comum, que ajuda a organizar os atos extremos que acontecem no filme.

SKY: Você se tornou amigo de Kiefer Sutherland quando fez Conta Comigo?

PHOENIX: Eu trabalhei com ele, provavelmente, por um total de quatro dias e minha impressão dele é que ele era um cara muito centrado no personagem, então eu não posso nem dizer que o conheço. Ele era muito bom ... ele era esse cara!

Eu lembro de estar com os caras e me sentindo muito destrutivo. Eu estava pegando torrões de terra e bombardeando seu carro e simplesmente o destruimos totalmente. Os outros caras me desafiaram a fazer isso, então eu fiz. Eles sabiam que era o carro do Kiefer. Quando eu descobri, eu temi pela minha vida. (Risos)

SKY: O que aconteceu?

PHOENIX: Eu o vi no restaurante, e ele disse, '"Ei, River, venha cá'" e eu estava engasgado. Mas eu fui lá e disse: "Kiefer, eu realmente sinto muito." E ele continuou: "Não, não, eu estou apenas cumprimentando você." Mas eu queria confessar e ele disse: "Não se preocupe com isso, é um carro alugado, já o lavaram." Eu estava nervoso, porque eu não sabia se ele ia puxar o canivete e cortar a minha garganta ou o quê.

SKY: O lado louco de River ...

PHOENIX: Há um lado meu que é egoísta.

SKY: Mas negar esse lado também não seria algo de uma injustiça?

PHOENIX: Sim, mas ainda assim, neste negócio, cara, você tem que ser muito cuidadoso para não sair da mão. Eu não quero ficar tão perdido em pensamentos sobre mim e falar de mim o tempo todo em entrevistas. É tão bom relaxar e simplesmente olhar para outras coisas e sair de si mesmo. É difícil separar-me de mim mesmo, sem me descuidar. Você sabe o que eu quero dizer? Eu não quero ter o hábito de ficar pensando na minha carreira, pois quando tudo se resume a isso, não é realmente tão importante assim. Eu poderia morrer amanhã e o mundo seguiria em frente!


Fonte: Sky Magazine, em julho de 1989

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

"Phoenix Ascendente": The Animals' Voice Magazine/1989

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Por Cole McFarland


"Eu nunca vou esquecer nossa visão naquela noite", lembra a estrela de cinema e ídolo adolescente River Phoenix sobre uma noite venezuelana em 1977, quando ele teve um vislumbre de sua missão na vida: a preservação da Terra.

"Nossa família se reuniu fora de nossa cabana na Venezuela, cantando sob as estrelas e sonhando com nosso futuro. Muitos dos nossos sonhos já se tornaram realidade, na verdade... e muitos outros ..." Sua voz some em um sussurro por causa de uma noite há muito distante.

A partir dessa noite, bênçãos e generosidades de todo tipo têm sido ofertadas à outrora empobrecida família Phoenix, e em onze curtos anos depois, River se tornou a mais solicitada estrela de cinema jovem do sexo masculino no país. Sua impressionante lista de participação no cinema inclui Conta Comigo, A Costa do Mosquito, Uma Noite na Vida de Jimmy Reardon, Espiões Sem Rosto, e o recém-lançado e elogiado O Peso de Um Passado.

Em um mundo no qual as estrelas de cinema são todas muito rapidamente seduzidas por sua própria fama, e são vítimas de seu próprio sucesso, River continua sendo a encarnação da inocência, fiel aos valores que são profundos dentro dele. Aos 17 anos, ele já está apaixonadamente comprometido com uma série de movimentos de afirmação da vida, incluindo os esforços para aliviar a fome no mundo, o fim do apartheid, proteger os trabalhadores migrantes, salvar os golfinhos (a quem ele chama de "os deuses dos mares"), libertar animais de laboratório, preservar as florestas tropicais e promover a vida vegan. Como vegan, ele não come e não usa produtos de origem animal.

Apesar de compaixão pelos animais ter sido a motivação inicial e permanente de River para o veganismo, ele tem uma sólida compreensão intelectual das interconexões entre a dieta à base de carne dos EUA e a fome do Terceiro Mundo, a devastação ambiental, e a alta taxa de mortalidade por câncer e doenças cardíacas na América. Ele vê o veganismo como a única coisa que todos os americanos podem fazer para ajudar a criar um mundo melhor para os seres humanos, os animais e o ambiente em que vivemos.

Amando a vida e vivendo naturalmente, perto da terra, River não vê motivos para lamentar o saudável fluxo e refluxo da vida na natureza. Quando ele fala sobre leopardos caçando antílopes, ele fala em termos de "ciclos da natureza".

Mas quando ele fala sobre a produção industrial, sua indignação moral é irresistível. "Nós capturamos esses animais e desrespeitamos completamente quem eles são", explica ele. "Nós os usamos, maltratamos eles e os prendemos por toda a sua vida ... Em seguida, vamos cortar suas gargantas, rasgá-los e comê-los! Moralmente, eu sou contra isso, eticamente, não posso justificar, e ecologicamente, é simplesmente insano. O pensamento de comer carne me faz tremer."

River, uma alma tolerante que tenta viver e deixar viver, também acredita que basta. "No que diz respeito a vestir peles, é preocupante", declara ele com uma paixão que põe toda a diplomacia de lado "é a mais grosseira, sem consideração, a mais egoísta e doentia fachada que eu posso imaginar. Eu nunca sairia com uma mulher que usasse um casaco de pele. Eu diria a ela para dar a seu casaco um funeral. "

Como uma celebridade que é amada e admirada no mundo inteiro, River promove a sua ética de afirmação da vida através de sua arte musical e cinematográfica. Ele confessa, no entanto, sua paixão pela ousadia, a intervenção direta. "Precisamos de um movimento extremo porque o que está acontecendo com os animais é extremo demais", diz ele com convicção firme. "Algumas pessoas mal informadas afirmam que os ativistas dos direitos dos animais são terroristas, mas essas pessoas são simplesmente ignorantes sobre quem são os verdadeiros terroristas - as empresas e indústrias que torturam literalmente bilhões de animais todos os anos."

Frente a este cenário de sofrimento global, nossa terra contempla Phoenix crescendo, uma estrela da manhã em um mundo à meia-noite, a aurora da consciência na próxima geração.

E então, diz-se que quando as pessoas escolhem nomes para seus companheiros animais, eles descobrem suas almas para escolher os nomes que revelam os valores mais íntimos que guardam em si. No que diz respeito a River, nada poderia ser mais verdadeiro. Ao som da seu chamado, o cachorro da família se transforma no meio do caminho e demonstra alegria sem limites ao lado de seu amigo. Enquanto o chamado anuncia uma grande brincadeira para o cachorro amado, ele também anuncia a visão que River tem dos animais em todos os lugares. "Justice, vem!" E a entrevista termina.

O tempo para Justice (Justiça) chegou.


Fonte: The Animals' Voice Magazine, em fevereiro de 1989

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Atores reconhecem: "River era o melhor ator da sua geração"

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Keanu Reeves, ator de "Garotos de Programa":

"Acho que ele é o melhor. Ele faz perguntas que eu normalmente não pensaria em fazer. Ele trabalha de uma forma que, pelo menos para mim, me mostrou como chegar mais no meu sangue e ser mais criativo."

"River é o melhor dos caras, ele é um deus, ele é o rei. Eu rezo para a igreja de River Phoenix!"

(UK World, em 1991)


Brad Pitt, ator de "Entrevista com o Vampiro":

Ele solta o ar lentamente, antes de recordar a primeira vez que correu para o outro no Toronto Film Festival. Seu telefone tocou e a voz continuou, "Pitt? River!” Ele achou muito engraçado. River disse a Pitt para ligar, quando voltasse a Los Angeles, "Não se acanhe!", disse ele, e assim Pitt o fez.

"Eu vou dizer-lhe isto: eu só o conhecia bem o suficiente para saber que eu queria conhecê-lo melhor, e eu estava realmente ansioso por isso. Foi apenas o garoto errado para que aquilo acontecesse. Isso apenas não deu muito certo com a sua natureza. Muito doce. Muito inocente, na verdade. Não é assim que ele vai mudar alguma coisa. É simplesmente um desperdício. Eu considero que ele era o melhor." Ele faz uma pausa. "É." Tenta outra vez. "Era". Reconsidera. "É. O melhor dos caras jovens. Eu não estou dizendo isso somente agora - eu disse isso antes dele morrer. Ele tinha algo que eu não compreendo."

(Empire, em 1994)


Richard Dreyfuss, ator-narrador de "Conta Comigo":

"River era o melhor que havia. River era um homem com um futuro. Você podia vê-lo seguindo muito além. Você podia perceber no seu trabalho, você podia notar a sua diversidade, você podia perceber que o seu nível de talento era superior."

(DVD "Stand By Me - Special Edition"/2000)


Samantha Mathis, atriz de "Um Sonho, Dois Amores":

"River era o maior ator da minha geração, na época. Ele era tão corajoso e tão cru e tão honesto em seu trabalho. Ele realmente foi uma inspiração para qualquer um em sua adolescência e juventude na época. Sem falar dos adultos que trabalharam com ele, que ficaram tão encantados com seu talento."

(DVD "A Thing Called Love - Director's Cut"/2006)


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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Porque hoje é 31 de outubro...

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Minha Condição de Estrela Solitária


(Canção composta por River Phoenix)


Quanto mais eu me machuco,
Menos eu sinto,
Quanto mais eu sei,
Menos eu descanso nesta...

Minha condição de estrela solitária.

Quanto mais eu me machuco,
Menos eu sinto,
Quanto mais eu sei,
Menos eu descanso nesta...

Minha condição de estrela solitária.

Digo isso honestamente,
Não torça minha orelha,
Quando eu estou andando no ar da noite,
Você está num passo-a-passo na minha casa ociosa,
E rasgando minha música com todos os acordes menores agora.

Quanto mais eu explico,
Menos eu trabalho,
Isso não pode ser bom para um garoto desprovido de amor,
Desprovido de contato, desprovido de luxúria, desprovido de alma,
Não desprovido da canção...