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terça-feira, 27 de novembro de 2012

"O River Que Sobe" [Parte 1]: Girlfriend/1992

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Por que razão River Phoenix é a estrela do sexo masculino mais popular entre os leitores da Girlfriend? Será por que ele é ambientalmente consciente, amante dos animais, um sensível bonitão loiro? Pode ter algo a ver com isso. Com dois novos filmes no horizonte - 'My Own Private Idaho' e 'Dogfight' - River está de volta ao centro das atenções, o que nos dá uma desculpa muito boa para uma matéria e entrevista exclusiva com ele e mais um poster gigante livre. Divirta-se!


Por Jeff Hayward,

"A consciência determinada de River Phoenix faz dele a esperança da mulher inteligente para o que a nova geração de homens será no século 21 - uma combinação de força e sensibilidade"

Esta é uma citação de uma seduzida jornalista que entrevistou River no início de sua carreira. É uma carga muito pesada para impor a qualquer cara, mesmo que ele seja um
bonito jovem astro do cinema,  que já recebeu uma indicação ao Oscar (por Running On Empty) e que está totalmente não contaminado pelas tentações de Hollywood.

Então, novamente, este enigmático jovem de 21 anos de idade vai ter que se acostumar com as expectativas de outras pessoas. A ascensão de River Phoenix está sendo tratada com entusiasmo genuíno pela indústria cinematográfica norte-americana.

A coisa curiosa sobre River, além de seu nome de filho da flor dos anos 60, é que muitas coisas sobre ele são um paradoxo. Basta acompanhar o seu passado. Seus pais, missionários de uma seita, levaram ele e sua irmã Rain através das ruelas da América do Sul em seus primeiros anos em busca de um sonho religioso, depois, abandonaram isso e dirigiram-se para as luzes brilhantes de Hollywood para que as crianças pudessem entrar no showbusiness.  Encontros sexuais muito cedo, seguido de um determinado período de celibato adolescente. Dez papéis no cinema no momento em que ele atingiu a idade de 20 anos. Acrescente a isso o fato de que ele não tenha comido carne em um longo tempo, não vai usar couro, mas fuma e bebe, e você se depara com um jovem cara totalmente fascinante.

Sua agente gosta de contar a história da conversão do ator ao vegetarianismo.

"Quando River tinha nove anos ele pegou seu primeiro peixe. Ele se debateu por algum tempo, depois morreu. Aí, River teve essa visão que ele tinha matado uma coisa viva, um companheiro. Ele chorou por três dias e prometeu nunca mais comer carne ou pescar de novo."

Apesar de uma infância bastante turbulenta, River está longe de ser instável e não é provável que deixe a atenção e bajulação que ele recebe convencê-lo de qualquer caminho que ele escolher seguir. "Uma das coisas que me foi apresentado no início da vida era de tentar fazer as coisas acontecerem", diz ele, "mas nada funcionou dessa forma para mim. O que eu aprendi sozinho é que tentar brincar de Deus com a sua vida vai destruir seu cérebro e seu sistema nervoso. Isso vai estragar o rumo natural no caminho que já está lá. Eu só não quero ler sobre mim está sendo transformado em um caso perdido por causa do meu trabalho." 

Se sua formação um tanto incomum lhe deu alguma coisa, foi uma intensa sensação de independência pessoal. Mesmo quando criança pequena, ele se viu fazendo coisas que a maioria jamais sonharia - por exemplo, ele e sua irmã costumavam cantar nas ruas da Venezuela no final dos anos 70 durante o período missionário da família. Isso foi antes do Sr. e Sra. Phoenix e seus cinco filhos (River, Liberty, Rain, Leaf e Summer) sairem da seita e irem para Hollywood. 

A família sabia tudo sobre lutar para pagar as contas, desamparados. É provavelmente por isso que River carrega um forte traço individual em sua obra cinematográfica. Ele está preparado para assumir riscos com os papéis e não se incomoda com o inusitado ou o frágil. Ele não é muito bom em qualquer auto-promoção. Ele preferia estar tocando violão e cantando com sua banda Aleka's Attic do que trabalhar no circuito de publicidade dos atores bem-vestidos para promover o seu perfil.

Neste momento, River está sentado em um sofá baixo de cores suaves, na arejada suíte do hotel de Los Angeles. Se você não soubesse quem ele era, você não pensaria em uma celebridade. Ele tem  os modos de um otimista incansavelmente animado e hiperativo. Confrontado com coisas que o perturbam, você está sujeito a receber uma resposta decididamente original. Como a história do empresário japonês que quer levar a sua pintura de Van Gogh para o túmulo com ele: "Eu acho que ele deveria ser beijado até que entregasse isso. Essa é a melhor maneira de fazê-lo. Amor conquista tudo, até mesmo os idiotas que não querem isso." E ao deixar a adolescência para trás, ele exclama: "Que alívio! Um dia você acorda e se sente com a sua idade."

Quando ele não está trabalhando nos sets de filmagem, ele pode ser encontrado no refúgio rural de sua família na Flórida, onde ele passa muito tempo com sua namorada de 26 anos, Suzanne Solgot. Ela descreve o ator como "muito doce e gentil", mas outra vez eu também li uma frase dela em que ela disse: "Quando ele está louco, ele pode ficar muito louco." 

Continua... 


Fonte: Girlfriend, em abril de 1992

sábado, 24 de novembro de 2012

Milton Nascimento canta "River Phoenix: Carta a Um Jovem Ator" no Globo de Ouro/1989


Programa Globo de Ouro de 1989 - Reprise do Canal Viva




Pertencente aos Arquivos de Messias Junior (postado com sua permissão)

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

River Phoenix - I’ll see you in my dreams

 Este é o relato da história do amor de uma fã por River Phoenix. Esta é a história de Aline Sodré. 

 
 Aline Sodré hoje, aos 32 anos, com parte do seu acervo de River Phoenix
         

A minha ligação com River Phoenix começou muito cedo. Eu assisti a Explorers com alguns primos em meados de 86 (aos 6 anos), e fiquei encantada por aquele gordinho nerd do filme muito mais do que pelo personagem principal interpretado pelo Ethan Hawke. Memorizei o nome do ator ao final do filme, e desde então sempre que via qualquer menção a ele em revistas, recortava, destacava.  Mas, o golpe fatal foi mesmo em 1988, na 3ª série, o professor de Português levou a fita cassete de “Conta Comigo” para assistirmos e depois escrevermos uma redação. Imediatamente reconheci o River e fiquei  encantadissima.  O filme me marcou muito.  Acho que foi a 1ª vez na vida que me emocionei com um filme, e seu personagem, Chris Chambers me tocou profundamente. Mesmo sendo tão nova, eu já tinha valores de amizade muito fortes, e aquele filme serviu pra fortalecer isso em mim, foi uma lição pro resto da vida do tipo de amiga e ser humano que eu queria ser.

Final da década de 80 e inicio da década e 90, eu colecionava praticamente tudo que saía do River em revistas, e assistia a todos os filmes dele, mesmo alguns sendo inapropriados pra minha idade. Eu assisti “My own Private Idaho” com 11 anos de idade. Ok, eu sempre fui precoce, mas confesso que não deixaria meu filho de 12 anos fazer o mesmo hoje,rs. Eu sempre tive primas e amigas mais velhas que me ajudavam driblar meus pais e eram minhas companheiras a tudo relacionado ao River.

Em 1992 eu e 4 amigas de escola – todas apaixonadas pelo River - fundamos um “fã clube” do River Phoenix e mandamos e-mail para várias revistas divulgarem. A  revista Capricho divulgou e recebíamos cartas do Brasil todo. Era tudo muito simples, tínhamos apenas pôsteres, pastas e vídeos de filmes gravados da televisão de forma bem amadora, mas era uma delicia compartilhar. Fazíamos jornaizinhos escritos à mão, e xerocávamos na papelaria. Algo muito amador, mas muito puro e genuíno.

O River não era apenas um ídolo por quem eu suspirava só “porque ele era bonito” como muitas adolescentes costumam ter. Para isso eu era fãs de “boybands” que preenchiam essa minha necessidade adolescente de suspirar por moços bonitos, rs. Com River era mais, muito mais. Eu sentia uma profunda conexão com ele, uma admiração enorme, e um carinho infinito.  Eu sonhava em conhecê-lo e sonhava com isso toda semana, sonhava com nosso encontro, ele me abraçando como se eu fosse uma amiga de infância, e eu agradecendo por fazer minha vida tão feliz e colorida.

Para meu aniversário de 13 anos em 31 de outubro de 1993 fui para o Guarujá, litoral paulista, com minha família e 3 amigas, todas fãs do River (co-fundadoras do fã clube). Nunca vou me esquecer desse dia. Era um domingo e depois de passarmos o dia nos divertindo na praia, voltamos para a casa à noite, onde todos cantariam parabéns para mim. Ao ligarmos a TV, no Fantástico, uma breve notícia nos deixou sem chão. River  havia morrido naquele mesmo dia. COMO ASSIM?  POR QUÊ? QUANDO?  Acho que a notícia teve menos de 5 minutos.


                      Aline S. aos 13 anos, momentos antes de saber da morte de River


Como receber a pior noticia da sua vida assim, em 5 minutos, e depois não ter acesso a mais absolutamente nada?  Como lidar com isso?  Estamos falando de 1993. Não havia Internet,  e TV a cabo era algo raríssimo, poucas pessoas tinham. A principio ficamos estáticas, absorvendo o impacto da noticia, em estado de choque.  Depois, então, veio a choradeira descontrolada, a revolta.

Não gosto nem de me lembrar dos dias que vieram depois. Pesadelo!

No decorrer dos anos, pra me livrar dessa dor, comecei a   escrever cartas para o River em diários. Cartas destinadas a ele como se ele pudesse lê-las de algum lugar. Também escrevi muitos poemas, a maioria em inglês porque na minha cabeça inocente de algum lugar ele conseguiria ler.

Ainda hoje, todo aniversário meu é “bittersweet” -  uma expressão inglesa para definir algo que é bom e triste ao mesmo tempo -  pois eu sempre me pego olhando meus diários antigos, minhas revistas, e pensando nele. O destino foi caprichoso comigo e enquanto viver, carregarei essa triste coincidência.


     Aline escreve para River, um ano pós sua morte, em 31 de outubro de 1994


Com a era da internet na década de 2000, comecei a entrar em blogs e sites sobre o River, mas não foi algo positivo. Eu lia muitos comentários maldosos, cruéis, sobre River, sua família e sobre sua morte. Nossa, se esse assunto por si só me faz muito mal, imagina ler essas coisas?

Preferi me afastar e ficar com as minhas (boas) memórias.

Fazia anos que eu não procurava nada sobre o River na internet,  e então,  neste ano,  tentei dar uma nova chance, e tive 2 boas surpresas. A primeira, foi conhecer a Femme, seu maravilhoso blog, tão bem feito com tanto carinho, tão bem cuidado, com noticias inéditas, e depois, em contato com ela, saber de todo seu afeto e ligação ao longo dos anos com o River. Eu me identifiquei muito com ela e foi um presente conhecê-la.  A 2ª surpresa  foi saber que a minha amiga Lizzie Bravo havia conhecido e convivido com ele, e melhor: tinha fotos e histórias inéditas pra relatar. Nossa, no dia que descobri isso, parecia que o River havia “renascido”. Foi muita emoção. Sou uma pessoa um tanto cética, mas coisas assim às vezes despertam um sentimento diferente em mim, eu sinto River presente cada vez que fico sabendo de uma coisa nova e boa relacionado a ele. Como se ele tivesse nos presenteando mesmo não estando mais presente.

Ao longo desses 19 anos, casei, tive filho, me separei, rodei o mundo, virei adulta responsável, mas eu nunca matei a menina dentro de mim, aquela criança que descobriu River Phoenix tão nova, e que se emociona com cada fala e cada gestos de seus personagens. 


Aline e a biografia de Barry Lawrence: "Divisor de aguas na minha vida! Acalentou meu coraçao, expandiu meus horizontes e me ajudou a entender melhor meu idolo!"

Hoje o respeito e admiro mais do que nunca, pois sei o quanto River foi um ser humano íntegro e fiel aos seus valores de vida. Eu continuo amando-o com a mesma intensidade que o amava aos 9 anos de idade, talvez até mais, pois a maturidade me permite enxergá-lo melhor ainda. O triste é que minhas amigas companheiras de fã clube e minhas parceiras de lágrimas, “abandonaram” essa paixão. Elas consideram que foi uma fase da adolescência e hoje são totalmente indiferentes ao River. Triste! Eu nunca irei abandonar isso, nunca deixarei de ser essa menina!  Eu tenho muito orgulho de ter tido o River em minha vida e fico feliz de dividir isso com meu filho de 12 anos, aliás, recentemente reuni ele e mais 3 amiguinhos todos da mesma idade e fiz uma sessão de “Conta Comigo” em casa. Eles ficaram emocionadíssimos, impressionados, fazendo várias perguntas. Não tenho palavras para medir a emoção que foi ver aquele filme tocando (jovens) vidas quase 3 décadas depois.

Eu sonho muito com o River. Incrivel!  Então, toda vez que fico triste por causa dele, eu cantarolo uma musica chamada “I’ll see you in my dreams” que fala assim :  “I'll see you in my dreams, And I'll hold you in my dreams…..Tender eyes that shine….They will light my way tonight, I'll see you in my dreams” (Te vejo nos meus sonhos, e te abraçarei nos meus sonhos…. olhos  tenros que brilham, eles iluminarão  meu caminho hoje à noite, te vejo nos meus sonhos...)

Pra concluir, posso afirmar que  hoje sou uma pessoa melhor – ou que se esforça pra ser sempre melhor,  graças a River Jude Phoenix. Ele nunca me conheceu, mas mudou para sempre a minha vida.

Obrigada, River. Te vejo nos meus sonhos..

Aline Sodré


terça-feira, 6 de novembro de 2012

[Crítica] 'O Peso de Um Passado' Sussurra Com Atuações de Alto Calibre

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Por Kevin Thomas,


Running on Empty é notavelmente bem-sucedido em apresentar seu retrato tenso de radicais dos anos 60 ainda em fuga ao encontro de uma evocação calorosa da vida familiar e do primeiro amor. Sofisticado, descompromissado e agradavelmente original, é um daqueles filmes raros que provavelmente significará tanto para adolescentes quanto para pais.

O diretor Sidney Lumet fez do roteiro inspirado de Naomi Foner um de seus filmes mais apaixonados e graciosos. Embora apropriado para o seu tema, "Running on Empty" é um título irônico para uma filmagem tão vencedora com tal abundância de performances superlativas.

Apesar das aparências, os Popes não são uma família comum. Quando o filho mais velho Danny (River Phoenix) observa dois carros sem identificação se aproximando de sua casa modesta na Flórida, ele põe em ação um plano de fuga elaborado por seus pais, ele e seu irmão mais novo, Harry (Jonas Abry, um jovem doce, carinhoso). Mais uma vez, os Popes estão alguns passos à frente do FBI, mais uma vez, eles vão a um lugar novo, com novas identidades.

Por mais de 15 anos, os Popes têm vivido na clandestinidade. Arthur (Judd Hirsch) e Annie (Christine Lahti) se conheceram na faculdade nos anos 60, casaram-se e se envolveram no movimento anti-guerra e, no estilo Weatherman, bombardearam um laboratório da Universidade onde napalm estava sendo fabricado,  financiado pelo Governo.

Sem querer e para imenso horror deles, um porteiro ficou cego. Eles se tornaram fugitivos porque não queriam ser separados de Danny, na época com 2 anos. 

Com o passar dos anos, os Popes têm a rotina de estabelecer novas identidades e erradicar o passado. Mas neste último exemplo, você imediatamente sente que as coisas serão diferentes. Para ter certeza, Annie e Arthur conseguiram os seus típicos empregos comuns - ela como recepcionista e ele, um cozinheiro. Mesmo que Danny sempre tenha sido obediente ao seu pai, que tem doutrinado a família sob o dogma de esquerda, ele tem agora 17 anos, está crescendo e começando a pensar por si mesmo.

A casa que os Popes alugam é tão decadente e indescritível quanto a última (e, sem dúvida, todas suas antecessoras), mas não está longe de uma escola de estilo colonial com prédios altos dignos de um campus da Ivy League. É lá que a grande promessa de Danny como pianista é descoberta por seu professor de música (Ed Crowley, deliciosamente cortês e idiossincrático), cuja filha adorável Lorna (Martha Plimpton) torna-se o primeiro amor de Danny.

Sempre um cineasta socialmente consciente, Lumet joga limpo com os Popes e sua situação difícil. Ele respeita o idealismo que radicalizou os Popes durante a Guerra do Vietnã e aprecia as circunstâncias que ditaram a sua existência fugitiva ao nos fazer nos perguntar quanto tempo eles poderão manter seus filhos dentro dela.  Em certo nível, "Running on Empty" é um raro, suave, engraçado e realista drama sobre amadurecimento como visto no romance Danny e Lorna e seu desejo crescente de desenvolver seu talento musical; em outro, é um lembrete da Guerra do Vietnã e seu legado doloroso, que é levado para casa com uma força inesperada que é ainda mais dolorosa por causa de sua não diretividade.

Apesar de todo o detalhamento cuidadoso despendido em tornar "Running on Empty" verossímil, ainda é possível se perguntar como Danny e Harry parecem ser meninos tão normais, apesar do fato de que uma existência transitória fugitiva é a única que eles conhecem. Você pode esperar que um padrão de identidades falsas e perdas abruptas de amigos e até mesmo de animais de estimação,  ao longo da vida, iria deixar  muito mais cicatrizes neles do que o filme sugere. No entanto, Lumet e Foner certamente poderiam alegar que os meninos, na verdade, receberam mais fortemente o amor e a atenção dos pais do que a maioria dos filhos têm a esperança de receber. Em qualquer caso, na sua conclusão em "Running on Empty" atinge uma credibilidade dolorosa.

Nenhum elogio é suficiente para Lumet e seu elenco pela qualidade das atuações. River Phoenix amadureceu na tela, mais impressionante do que qualquer jovem ator na memória recente. Simplesmente parece não existir qualquer emoção ou sutileza que ele não consiga expressar. O mesmo pode ser dito para Martha Plimpton. Em ambos os casos, é maravilhoso ver dois jovens atores que são tão inteligentes quanto são atraentes.

Por um tempo, pode parecer que o filme vai pertencer à geração mais jovem, mas aos poucos,  Lahti e Hirsch movem-se para o primeiro plano para nos fornecer momentos que estão determinados a se tornarem dos mais memoráveis ​​de sua carreira. O mesmo é verdadeiro para Steven Hill, em sua única cena como o pai de Lahti, uma exibição magistral de habilidade de um ator em reagir. Augusta Dabney, como a esposa de Hill, causa um grande impacto em uma cena ainda mais breve. L.M. (Kit) Carson representa efetivamente o azedo radical dos anos 60.

"Running on Empty" é mais do que uma bela produção e uma película visualmente elegante. Assim como são admiráveis os acordes límpidos do compositor Tony Mottola e as imagens evocativas do cineasta Gerry Fisher, é ainda mais crucial para o filme a produção de design de Philip Rosenberg em fazer da grande casa vitoriana de Plimpton o lugar mais convidativo imaginável.

Sidney Lumet não tem medo de sugerir que até os filhos da doutrina mais radical poderiam responder a tal conforto e segurança burguesas e que isso por si só não é necessariamente "ruim". É esse tipo de honestidade que faz "Running on Empty".


Fonte: Los Angeles Times, em setembro de 1988

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

"Mas eu sempre pensei que eu veria você novamente, River..."

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Há 19 anos atrás, River Phoenix partiu para nunca mais voltar. Irreversível, irrevogável, inegociável. Mas eu ainda me pego esperando por ele, numa tela de  cinema, numa revista, num jornal... acho que nunca poderei dizer adeus. Com vocês, o peso de um passado...




Fogo e Chuva

 

 By James Taylor,


Na manhã de ontem me deixaram saber que você se foi
[River], os planos que eles fizeram deram um fim em você
Eu andei por aí de manhã e escrevi essa canção
Só não consigo me lembrar pra quem eu enviaria

Eu tenho visto fogo e chuva
Tenho visto dias ensolarados que eu pensei que nunca acabariam
Tenho passado horas solitário quando não consigo encontrar um amigo
Mas eu sempre pensei que eu veria você novamente

Você não olharia por mim, Jesus
Você tem que me ajudar a suportar
Você tinha que me ver outro dia
Meu corpo esta dolorido e meu tempo esta em suas mãos
E eu não farei isso mais

Oh, eu tenho visto fogo e chuva
Tenho visto dias ensolarados que eu pensei que nunca acabariam
Tenho passado horas solitário quando não consigo encontrar um amigo
Mas eu sempre pensei que eu veria você novamente

Tenho andado pensando por um bom tempo
Meus arrependimentos tem batido de frente ao sol
Deus sabe, quando o vento frio soprar
Isso te fará pensar
Bem, as horas ao telefone
Pra falar sobre coisas que virão
Doces sonhos e máquinas voadoras em pedaços no chão

Oh, eu tenho visto fogo e chuva
Tenho visto dias ensolarados que eu pensei que nunca acabariam
Tenho passado horas solitário quando não consigo encontrar um amigo
Mas eu sempre pensei que eu te veria, querido, mais uma vez agora
Pensei que eu veria você mais uma vez
Há poucas coisas em meu caminho ultimamente, agora
Pensei que eu veria você, pensei que eu veria você
Fogo e chuva


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Entrevista com Peter Bogdanovich sobre River Phoenix/2012

 


Por Nicki Richesin,


Se a Geração X teve um herói, este foi River Phoenix. Em cada performance vulnerável, ele parecia incorporar os pensamentos e preocupações de uma geração inteira. Em 27 de setembro, Dark Blood o último filme em que Phoenix apareceu , mas nunca concluíu, vai estrear no Festival de Cinema da Holanda, em Utrecht. Quase 19 anos depois de sua morte, o diretor holandês George Sluizer irá desvendar o último filme de Phoenix.

Eu encontrei Phoenix uma vez em turnê com sua banda Aleka's Attic em um clube num metrô abandonado em Knoxville, Tennessee. Durante uma passagem de som antes do show, a multidão entoava: "River! River!" Notei um moleque desalinhado, um leve musgo espanhol cobrindo seu rosto. Quando ele olhou para mim envergonhado, ele disse: "Eles não têm nenhuma idéia de que sou eu." Então eu me dei conta de que o garoto para quem eles estavam gritando (River! River!) estava em pé ao meu lado. Fiquei tão chocada que mal conseguia falar, mas naqueles poucos momentos vislumbrei uma pessoa reservada oculta, um jovem que desejava o anonimato, mas se sentia obrigado a se apresentar para o seu público admirador, exatamente como ele teve que fazer quando era criança nas ruas de Caracas, Venezuela.

Irmão mais novo de Phoenix, Joaquin também criou I'm Still Here, um olhar perturbador de como a fama distorce a identidade de uma pessoa. Em muitas representações luminosas de River Phoenix de jovens homens, muitas vezes com problemas - o que deixou uma impressão marcante foi The Thing Called Love. Com seu último filme que estrelou e concluíu, Phoenix roubou a cena como um homem doce e jovem chamado James Wright tentando tornar-se um cantor de música country em Nashville. Falei com o diretor Peter Bogdanovich sobre a produção de seu filme e  e os últimos dias horríveis após a morte de Phoenix.



   Peter e River no set de filmagens de The Thing Called Love


Nicki Richesin: Em 1993, você dirigiu um filme incrivelmente encantador The Thing Called Love com River Phoenix as estrelas então relativamente desconhecidas Sandra Bullock e Dermot Mulroney. Você lançou River Phoenix como um garoto rebelde, uma espécie de bad-boy-tentando-o-bom--retorno em James Wright. O que inicialmente o atraiu para River como protagonista e como você o encontrou trabalhando com ele em seu filme?

Peter Bogdanovich: Quando estávamos preparando o filme, nós pensamos que ele era um nome grande demais e que ele não estaria interessado já que isso é essencialmente escrito a partir do ponto de vista de mulheres. River queria cantar em um filme e isso lhe daria a chance de cantar. Quando falamos ao telefone, eu disse: "Eu tenho apenas uma pergunta para você. Você nunca jinterpretou um personagem com essa margem para ele. Como você faria isso? "E ele disse, "Silêncio." Eu pensei que esta era uma resposta tão brilhante.


NR: Há uma cena marcante no filme, quando James vê Miranda Presley (interpretada cativantemente por Samantha Mathis) se apresenta no famoso bar Bluebird de Nashville. Ele diz: "Isso foi tão comovente" e isso meio que parte seu coração, ouvi-lo proferir esta frase. Ele é orgulhoso e vulnerável e apaixonado, mas há essa determinação triste no rumo dele. Esta fala foi improsivada ou você orientou Phoenix para revelar tudo isso naquele momento?

PBEssa foi uma improvisação. Samantha Mathis rompeu com John Leguizamo, depois de trabalhar com  River. Eles eram muito apaixonados. Eles se apaixonaram quando eles se beijaram na traseira do caminhão.


NR:  Por que foi importante para você dirigir este filme sobre um amor jovem condenado e numa espécie de reviravolta sobre o tema: uma garota da cidade grande que vai para uma pequena cidade para tentar se tornar algo?

PB:  Eu gosto de música country e pessoas jovens. Eu gostei do enredo básico e pensei que era uma boa história de quatro garotos que tentam fazer isso. Eu fui atraído para a idéia.



NR:  Como você acha que River alcançava tal intensidade na tela?


PB:  Ele realmente entrava nisso. Eu não encontrei com ele até que ele foi para o papel. No momento em que ele veio para a Califórnia, ele estava no papel. Eu pensei que ele estava um pouco nervoso, um pouco difícil. Eu não conheci o verdadeiro River Phoenix até depois das filmagens. Eu descobri que ele era mais como Huck Finn. Ele era adorável e uma grande ajuda na filmagem. Ele tinha o que Hemingway chamou de "um detector de merda embutido". Tivemos dois roteirstas para o roteiro e ele iria reclamar se ele não gostasse das falas, mas ele era glorioso para se trabalhar.
 

NR: Como você se sentiu quando descobriu que ele tinha morrido?


PB:  Ele foi correto durante as filmagens. Eu tinha um encontro com ele em 01 de novembro, um dia depois que ele morreu. Quando falei com ele algumas semanas antes, ele disse que ele estava limpo e estava limpo há 3 ou 4 meses. Fiquei devastado com sua morte. Nós tínhamos acabado participar do Festival de Cinema de Viena e isso foi apresentado com grande sucesso. Saímos de Portofino por alguns dias e no vôo de volta para Los Angeles, eu estava conversando com um amigo, o roteirista Robert Towne. Ele estava delirando sobre Johnny Depp e eu estava delirando sobre River Phoenix. Quando pousamos, Bob me disse que não tinha certeza, mas ele tinha acabado de ouvir que River tinha morrido. Minha assistente me encontrou no aeroporto para me dizer. Eu senti como se tivesse sido atingido na cabeça. No dia seguinte, fui até a casa dele e Joaquin chorou nos meus braços. 


NR: O que você acha que será o legado de River Phoenix?

PB: Ele era um ator brilhante. Um ator muito talentoso e um doce de pessoa. Eu acho que um  jogo indecente estava em ação no seu último dia. Alguém passou cocaína ou heroína não diluída para ele. Algo letal. Eles decidiram não prestar queixa disso. Ele não fez muitos filmes e por isso ele não teve a chance de viver o seu potencial. Tony Curtis disse: "É impossível calcular o nível de inveja em Hollywood." Eu acho que a inveja matou
ele.

 

Fonte: Huffington Post, em setembro de 2012

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Diretores falam sobre River Phoenix [Parte 1]

                         
             River e Peter Weir nas locações de "A Costa do Mosquito"


Phil Alden Robinson, diretor de "Sneakers" (1992):

"Ele era extremamente talentoso. Ele se importava profundamente com seu ofício. Ele gostava de arriscar. Ele gostava de cavar mais fundo e... exigir mais. Ele era um ator extraordinariamente sincero."

"Ele conseguiu fazer algo muito incomum para um ator. Ele podia retratar uma grande sensibilidade e muita vulnerabilidade e ainda continuar emocionante de assistir. Não havia nada de mole nele quando ele fazia isso. Isso surgia da força. Isso é uma grande tragédia." (The New York Times, 1993)


Peter Weir, diretor de "A Costa do Mosquito" (1986):

simplesmente a expectativa de que iria trabalhar com ele novamente. Recentemente eu pensei em um próximo projeto: 'Oh,.... não, não há River.' É a sua singularidade que se foi. Acho que foi Billy Wilder que disse, quando morreu o (diretor) Ernst Lubitsch, "Ow, não há mais filmes de Ernst Lubitsch." Eles eram exatamente seus filmes. Agora não há mais personagens de River Phoenix." (Première, 1994)


Rob Reiner, diretor de "Conta Comigo" (1986):

"É tão triste. Toda vez que vejo a cena quando ele desaparece no final do filme, é de arrepiar.

"Eu nunca pensei que River ia ser a pessoa que teria dificuldades - ele era um bom garoto e ele era tão talentoso. Ele teria sido [como] Johnny Depp ou Leonardo DiCaprio Foi uma perda tão trágica..." (Digital Spy, 2011)


Peter Bognadovich, diretor de "The Thing Called Love" (1993):
  
"A sua agente ligou para o estúdio e disse, 'River Phoenix está muito interessado em fazer este filme.' Neste momento o estúdio me ligou - eu estava em Nova York - e disse: 'O que você pensa sobre River Phoenix?'  E eu disse: 'Jesus, ele seria ótimo. Ele é um ator maravilhoso. Ele pode fazer qualquer coisa." (The Standard-Examiner, 1993)

"Eu o amava muito. Ele tinha um talento maravilhoso." (The Financial Times, 2002)

"Eu estou muito feliz que River tenha pedido para estar no filme, e que fizemos o filme. Foi o último filme ele completou antes de sua trágica, e na minha opinião, morte acidental. Isso foi um golpe absolutamente terrível, sua morte. E uma perda terrível, porque ele tinha muito potencial e por isso muito futuro e este filme, eu acho, mostra que tipo de protagonista fascinante ele teria sido, porque este é realmente o seu primeiro papel maduro. E essa foi uma tragédia terrível." (No DVD"The Thing Called Love - A Look Back")


             River e Sidney Lumet no set de "O Peso de Um Passado"


Sidney Lumet, diretor de "O Peso de Um Passado" (1988):

Peter Bognadovich entrevista Sidney Lumet
:

Como você conviveu com River Phoenix em Running on Empty?

"Eu o adorava. Foi simplesmente alguns meses extraordinários
trabalhando com ele. Naomi Foner, que eu acho que é realmente uma roteirista ótima, maravilhosa, tinha escrito uma cena realmente falsa no filme: o personagem de River senta-se ao piano na casa da menina e começa a tocar uma pequena sonata de Beethoven, em seguida, ele se torna consciente dela atrás dele e ele vai para um boogie-woogie. Antes de começarmos, eu tinha dito a Naomi: "Sabe, este é o velho José Iturbi, nós não somos esse quadrado. Nós não somos apenas música clássica -. isso é tão condescendente - é a única coisa tola que você escreveu e vamos nos livrar disso." Durante os ensaios, Naomi resisitu - ela queria isso e então eu disse: "OK, eu não vou dizer nada. Nós vamos tentar ensaiar e ver qual é a sensação depois." Com toda certeza, assim que eu comecei a enquadrá-lo, River disse: "Naomi, sabe, isso realmente é - isso é muito brega". A visão deste garoto de 17 anos de idade argumentando com esta roteirista de primeira classe, com o dobro de sua idade, foi tão fascinante. Sabe, esta pureza dele simplesmente ofuscava tudo. Naomi não podia resistir a ele: ela disse, "OK".

Com River, era sempre sobre a cena toda ou o filme todo, ele sempre estava pensando em toda a obra. Isso era muito incomum, você não acha, para um ator jovem - ou para qualquer ator? 

"Com certeza. E falando sobre takes antecipados, Deus, ter que passar dois takes com ele seria surpreendente." (Do livro "Who The Devil Made It" (1997), vide Rio's Attic)
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George Sluizer, diretor de "Dark Blood" (1993):

"Nós éramoss muito próximos. Meu filho, por vezes, disse: "Você parece mais próximo de River do que de mim". Ele não dizia isso como um sinal de ciúme..."

Sluizer descreve Phoenix, que estava destinado a um futuro brilhante, como "uma pessoa um pouco frágil" por causa de sua juventude conturbada e seu uso de drogas.
 
"Mas ele não era, na minha visão, autodestrutivo", diz ele. "Do meu sentimento, foi absolutamente um acidente naquela noite, misturar coisas que não se misturam."

A infância difícil refere-se aos anos de formação de Phoenix no culto religioso dos Meninos de Deus. O diretor diz que eles discutiram alegações generalizadas de abuso de crianças dentro do grupo. "Ele falou sobre os abusos", diz ele.
 
"Antes de filmar, eu lhe pedi para ir para Utah por quatro ou cinco dias comigo, sozinho, para que pudéssemos entrar mais em contato. Então, obviamente, durante a caminhada e a escalada nas montanhas de Utah por conta própria, antes de qualquer equipe ou outras pessoas estarem lá , ele, em certos momentos, iria me dizer algo sobre esse período.
 
"Eu não vou entrar em detalhes - revelando algumas coisas que ele me disse em particular - mas, obviamente, ficou claro que não era sempre muito fácil e ele teve um tempo difícil quando era criança." (BBC, 2012)
 

sábado, 13 de outubro de 2012

Dark Blood: Q & A com o Diretor George Sluizer


Dark Blood: Um cáustico, mas Acolhedor Q & A; A com o diretor George Sluizer/2012




 Por Ard Vijn,

No final de cada sessão de Dark Blood - último filme de River Phoenix, inacabado desde a morte prematura do ator até agora - no Festival de Cinema Holandês em Utrecht, o diretor George Sluizer esteve no palco para contar um pouco sobre o filme e responder às perguntas da platéia. Nada fácil, dado que o homem tem 80 anos e está morrendo de uma doença que enfraquece suas artérias até elas explodirem. Os médicos prevêem que ele vai morrer este ano e em suas próprias palavras: "Pode acontecer a qualquer hora agora".

A exibição que eu assisti foi a primeira diante de um público geral, a estreia mundial aberta somente para convidados da equipe e da indústria. Eu estava sentado próximo ao velho homem e eu realmente esperava que a emoção não lhe fizesse bem. Felizmente ele fez isso com segurança até o fim e o Q & A acabou por ser um assovio. Depois de longos aplausos de pé que visivelmente o emocionaram, ele começou a falar e ele não exatamente mediu suas palavras.

George Sluizer nunca foi particularmente tímido em suas cinco décadas de trabalho no cinema. As respostas de George às perguntas foram ao ponto, sinceras e extremamente não filtradas. Aqui estão alguns destaques: 


Q: Você tinha todo o som e a música já planejados em 1993, ou isso foi acrescentado este ano?

George Sluizer: Não, quando River Phoenix morreu tudo o que tinha a ver com a produção parou. A produtora tinha seguro contra desastres como este, assim eles pegaram o dinheiro, e o filme acabou no cofre da companhia de seguros.

Anos mais tarde, em 2000 ... não, em 1999, a empresa descobriu que o filme não tinha nenhum uso para eles e nunca iria lhes render algum dinheiro. Como o armazenamento era caro, eles decidiram destruí-lo, queimá-lo. Eu ouvi sobre isso em uma quarta-feira, enquanto a incineração estava prevista para sexta-feira. Eu não era o produtor ou o proprietário, apenas o diretor, então eu não tinha direitos sobre os negativos. Mas eu conhecia alguns caras em Los Angeles, então ... Bem, na noite antes do filme ser destruído, eu. .. Do meu ponto de vista eu salvei o filme, mas de todos os outros pontos de vista, eu.. hum ...o roubei. (A platéia ri e aplaude)
.

Às vezes, não é sobre as normas. Ou companhias de seguros, bancos, ou dinheiro. O melhor subsídio que eu já recebi foi de um romancista cuja breve história que eu queria filmar. Não Dark Blood, era outro filme. Vi o escritor na rua logo depois de eu ler sua história e eu fui até ele e disse: "Desculpe, você não me conhece, mas eu sou um diretor de cinema holandês, acabei de ler a sua história e eu gostaria de filmá-la." E ele me abraçou. Aquele abraço foi o melhor presente, a melhor motivação que eu já tive. Não é um ... um subsídio do governo ou um subsídio oficial. Foda-se o dinheiro! (risos da platéia)

Assim, em 1993, após a produção ter parado, não havia nada. Nós adicionamos a música em 2012. Ela foi composta por Florencia Di Concilio. Ela é do Uruguai e quando ouvi a sua música para um outro filme, eu viajei para lá para conhecê-la. Apesar de eu não poder andar (aponta para suas muletas) eu fiz o possível para persegui-la até que ela finalmente cedeu e disse que sim.
 


Q: Há boatos de que havia alguma tensão entre River Phoenix e Judy Davis no set. Isso é verdade?
 
George Sluizer: Para começar: nunca houve qualquer tensão entre mim e River Phoenix. Ele era amigável, profissional e tivemos um tempo agradável trabalhando juntos. Quanto à Judy, ela era uma ...hum, eu estou procurando uma palavra
amistosa aqui ... CADELA! (risadas do público).

Quer dizer, ela é uma atriz incrível, eu mesmo fui buscá-la, e ela fez um trabalho excelente. Mas ela era muito difícil de trabalhar, tanto para mim quanto para River.

Felizmente, teve Jonathan Pryce no set, que era sábio, ou pelo menos maduro o suficiente para não ser atraído para a luta. Em certo momento, quando seu personagem tinha que gritar e praguejar com ela, Judy se opôs a isso. Quer dizer, isso era típico: ela tinha lido [isso] no roteiro e aceitou isso, mas quandonós  estávamos filmando ela começou a fazer uma confusão, dizendo que ela não queria ser tratada de tal maneira. Nesse ponto, Jonathan disse: "Ah, vamos, Judy, vamos manter isso. Eu só aceitei esse papel, porque eu poderia atuar dizendo isso para você!" (risos do público). E aquilo foi mantido. 

Eu não vou permitir que alguém fale contra o seu talento como atriz, mas se estamos a falando de suas qualidades como ser humano, eu aconselho a todos a se manter longe dela.


Q: Qual é
o status legal do filme? Será que um dia ele terá um lançamento regular?

George Sluizer: O status atual é: eu tenho os direitos para o filme que você viu esta noite, por isso que eu estou autorizado a mostrá-lo, desde que nenhuma renda seja gerada. Mas os direitos sobre os negativos originais ainda precisam ser resolvidos. Esperamos ter algum tipo de resposta em quatro ou seis semanas. Mas várias equipes de advogados estão investigando isso há mais de um ano agora, então eu não acho que isso será resolvido rapidamente.

Você deve levar em consideração que River Phoenix e a seguradora eram da Califórnia, a empresa de produção inicial era britânica e eu sou da Holanda. Isso significa que você já tem três legisladores diferentes, e três conjuntos de leis de direitos autorais, então você precisa fazer malabarismos. É um quebra-cabeça incrível e muito difícil de resolver.
 


Q: O resto da equipe viu o filme?

George Sluizer: Como você pode ver nos créditos é uma
lista bem longa, e algumas dessas pessoas eu não conheço muito bem pessoalmente. Mas muitos estavam aqui na quinta-feira. Dois dos atores nativos americanos voaram para ver isso. Edward Lachman, que foi o diretor de fotografia, alguns dos produtores envolvidos ... Infelizmente algumas pessoas estão mortas, e Karen Black queria ... Você notou Karen Black no filme? As pessoas conhecem o seu melhor como a atriz ao lado de Jack Nicholson em Five Easy Pieces, um filme excelente. Em Dark Blood ela interpreta a dona de motel e temos sido bons amigos desde as filmagens de 1993. Ela queria estar aqui para a estréia, mas infelizmente ela tem câncer e teve de começar a quimioterapia recentemente. Mas ela queria ter estado aqui e me disse para dizer ao público que ama todos vocês. 


Q: Qual foi o seu maior problema na edição do filme e do que você mais se orgulha?

George Sluizer: Eu quero dizer TUDO. (risos do público).

Mas, por causa da maneira como se filmou as imagens, o filme felizmente existiu como uma série de blocos pré-fabricados de construção. Se vocês foram capazes de fazer alguma coisa de vê-lo, eu estou satisfeito.

Então, novamente, há uma seqüência ... a cena em que eles visitam o abrigo de Boy pela primeira vez, sua quase igreja, e Buffy e Boy estão ambos chapados, e ele diz que ele é apenas um ser ... Eu estou muito orgulhoso disso.
 


Fonte: Twitch Film, em outubro de 2012